Consulado boliviano ajuda família em liberação de brasileira morta

Thiago Henrique Batista Ferreira, marido da brasileira encontrada morta em Puerto Quijarro, na Bolívia, chegou no final da tarde de quinta-feira (14) em Corumbá juntamente com a irmã da vítima. O Diário Corumbaense acompanhou com exclusividade a chegada deles na rodoviária. Os familiares foram recepcionados pelo vice-cônsul do Brasil que atua em Puerto Suárez, Adeneles Alberto de Moura. Logo depois da chegada, eles foram encaminhados à Polícia Federal para solicitar emissão de documento de imigração para entrar no País vizinho.

Companheiro de Priscila veio com a irmã dela, que vai fazer o reconhecimento formal do corpo Fotos: Ricardo Albertoni/Diário Corumbaense
Companheiro de Priscila veio com a irmã dela, que vai fazer o reconhecimento formal do corpo Fotos: Ricardo Albertoni/Diário Corumbaense

Thiago contou como estão os amigos e familiares de Priscila. “A gente não quer acreditar, mas infelizmente é a verdade”, disse. Ele afirmou que os dois filhos, de 4 e 6 anos, acabaram vendo as fotos da mãe e ficaram desesperados. “Tive que explicar, mas não falei como aconteceu. Disse que ela sofreu um acidente de ônibus e que a mamãe estava no céu. No momento, eles até estão entendendo, mas quando bater a saudade, vai ser difícil, vai ser dolorido”, frisou.

A mãe de Priscila faleceu há dois anos e os filhos dela estão atualmente com a avó paterna. Thiago afirmou que pretende terminar de construir a casa e seguir a vida em frente “infelizmente sem ela”. Como ele não era casado formalmente com Priscila, a irmã da vítima também teve que viajar com o cunhado porque somente alguém da família está autorizado a reconhecer oficialmente o corpo em Santa Cruz de la Sierra, distante cerca de 600 quilômetros de Corumbá.

“Eu estou me sentindo mal, era a minha única irmã. Ela representava tudo para mim, uma irmã, uma mãe, uma amiga, tudo o que você pode imaginar”, disse chorando, Ana Cláudia Aparecida Franco. “Era só com ela que eu podia contar e ela comigo, agora só ficou eu e o meu cunhado, porque minha avó já é de idade, tem quase 90 anos. Minha filha mais nova ficou doente por causa do que aconteceu com ela. Ela era tudo para todo mundo, uma ótima pessoa. Para ela, tudo era família”, desabafou a irmã de Priscila.

Consulado do Brasil na Bolívia e grupo humanitário ajudam no caso

Desde o dia que o corpo de Priscila foi encontrado, na manhã de 08 de janeiro, o Consulado do Brasil na Bolívia está contando com ajuda de diversos órgãos que estão colaborando de forma voluntária e humanitária com a questão legal do caso. Como não se sabia quem era a vítima, mas havia uma desconfiança de que era brasileira, por causa das moedas nacionais que foram encontradas com a vítima, o corpo foi enviado a Santa Cruz de la Sierra, por causa das precárias condições do necrotério local.

O corpo de Priscila já foi liberado. O bebê que estava sendo gerado por ela foi retirado pelos legistas de Santa Cruz e também já foi liberado. O que falta é a identificação oficial do corpo por parte de algum familiar de Priscila, no caso, a pessoa escolhida pela família foi a irmã dela, Ana Cláudia.

“Nós temos a confirmação pelo Consulado do Brasil, em Santa Cruz, que foi feita autopsia no corpo de Priscila e foi constatada a existência de um feto, no caso um natimorto que é justamente quando não chegou a nascer. O feto foi encontrado e não chegou a respirar. Se tivesse respirado, então ele seria uma pessoa, um cidadão, que deveria ser lavrado inclusive um documento com certidão de nascimento para depois ser feito o atestado de óbito. Como ainda se tratava de um feto, com a morte da mãe, o feto morreu também”, explicou o advogado de Corumbá, José Carlos dos Santos, integrante do grupo humanitário formado na cidade para dar apoio à família nas questões legais do caso.

Ainda de acordo com ele, o Consulado do Brasil na Bolívia disponibilizou um advogado boliviano que está fazendo o acompanhamento dos familiares na tramitação na Bolívia. O corpo dela não poderá ser cremado, porque o caso está sob investigação. Há a possibilidade do translado para o Brasil e do enterro na Bolívia. Um amigo da família de Priscila, em Campinas, está levantando recursos para o translado do corpo. Contudo, a situação financeira não é fácil, já que caso semelhante ocorrido em fevereiro de 2014, quando uma mulher brasileira faleceu em Santa Cruz de la Sierra, foram gastos 25 mil reais para o transporte do corpo para Rondônia. Hoje, os valores são outros por causa da alta do dólar.

O CASO

Priscila Aparecida Franco da Silva foi encontrada morta em Puerto Quijarro, cidade boliviana que faz fronteira com Corumbá, na manhã do dia 08 de janeiro de 2016. Seu corpo estava com sinais de violência sexual, espancamento nas costelas e nuca, e provável morte por asfixia. Ela também estava com as mãos amarradas e com todos os seus pertences, faltando apenas seus documentos.

Conforme relato do marido da vítima, a mulher estaria em Corumbá para comprar roupas na Bolívia e revender em Campinas, mas, a Polícia Boliviana trabalha com a possibilidade de a brasileira ter sido executada por narcotraficantes.

Depois de chegar à cidade brasileira, Priscila teria perdido contato com o marido e ele reconheceu o corpo dela através das imagens divulgadas na internet.

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