Construtores lotam Câmara em luta contra mudanças no Minha Casa, Minha Vida

b6b9a1fa-648e-42b1-a273-a927f3aeb4cdConstrutores de Campo Grande ‘ocuparam’ na manhã desta terça-feria (25), a Câmara de Vereadores para um manifesto contra mudanças no programa do governo federal ‘Minha Casa Minha Vida’. Cerca de 400 profissionais que atuam no setor da construção civil da Capital realizaram a primeira manifestação local de um ato nacional criado como ‘Movimento Contra a Portaria 160’, que trata das modificações no programa, feita pelo Ministério das Cidades. Hoje, o movimento teve sua visibilidade com a presença maciça no plenário, ganhando o apoio dos parlamentares que prometeram ajudar por meio da mobilização local com seus partidos e bancadas federal para tentar derrubar a medida em Brasilia. O engenheiro Adão Jorge Moraes Castilho, representante dos construtores, sem vinculo com qualquer entidade, falou em nome da classe.

De acordo com Castilho, o ato campo-grandense foi iniciado com a procura da Câmara, para que se abrisse espaço oficial da tribuna, na chamada ‘Palavra Livre’, onde um representante falaria sobre o assunto, para pedir ajudar aos vereadores. Contudo, a fala abriu brecha para idealizar e se tornar o protesto oficial com a convocação para se lotar a Casa. “A categoria teve uma oportunidade aberta pelo vereador Herculano – Borges do SD – para se reunir e dar visibilidade ao assunto grave. O Movimento foi criado contra medida do Ministério, que mudou regras do Minha Casa Minha Vida. Como, a partir de 2017, só será permitido o financiamento da Caixa Econômica para novas construções em áreas onde têm asfalto e pequenos construtores em pessoa física serão banidos do mercado, pois não mais poderão pegar uma obra”, apontou Castilho.

Castilho, apontou que para barrar a efetivação da Portaria e evitar que “este grande mal aconteça”, foi fundado o ‘Movimento Nacional Contra a Portaria 160’. Ele que é um dos coordenadores da ação na Capital, afirmou da tribuna, que a medida trará mais desempregos, barrará o desenvolvimento dos bairros das cidades e “Se essa medida não for revogada, irá ser um caos, atingirá a todos, o construtor, o pedreiro, encanador, o comercio e por fim todo município, que terá atingido os empregos e arrecadação dos impostos. E não estamos pedindo dinheiro do governo, que não usamos dinheiro da Caixa. Queremos é trabalhar, que nos deixe trabalhar. Se tiver isso, se preparem a partir de janeiro teremos 14 mil desempregados, pois simplesmente tiraram nosso serviço”, relatou Castilho que viu praticamente todos os vereadores se posicionarem em apoio ao Movimento.51c3766d-6878-431a-af0a-c0a450d3997f

“O assunto não é tratado ou poderá ser feito algo na ponta pela Câmara. Mas, trazemos o Movimento para Casa, pois é do povo, que tem que se manifestar. Podemos dar visibilidade aos seus anseios e ajudar na mobilização da bancada federal para mexer nessa portaria. Isto na realidade é uma porcaria 160, é uma portaria mal construída e nociva a própria economia que estão falando em recuperar. A Câmara não pode fazer nada diretamente, mas pode mobilizar, até porque depois as consequências são nossas. Listei por exemplo, que haverá queda do ISS, aumento do desemprego, quebra do comercio local e por fim freia o desenvolvimento dos bairros e ou até o fará retroceder para vazios que estavam sendo preenchidos pelos nossos pequenos construtores. Se não haverá mais, além de não ir mais gente , os que estão irão procurar outro lugar melhor, com o asfalto construído”, declarou o vereador Herculano Borges.

Vem de cima para baixo destruindo

Para Mario Cesar (PMDB), não precisa ser especialista para ver uma medida que vem de cima para baixo, que irá prejudicar a cidade e beneficiar somente os grandes. “Vai barrar com certeza o avanço de qualquer bairro, da cidade, como Campo Grande, e a maioria do Brasil, que tem grandes vazios urbanos, onde tem mais distantes e já se demora levar a infraestrutura, pois o goenro só via passar asfalto onde tem moradia, gente, onde não é inabitado. Vai fortalecer somente as grandes construtoras e áreas que receberam investimentos na compra para fazerem seus grandes conjuntos”, disse.

“Tem que levar as bancadas, partidos um por um, para ser mais objetivos e ir a quem pode barrar esta medida impensada”, disse Carlão (PSB). Ele foi acompanhado por Otávio Trad (PTB) que apontou ver a grande perda. “É uma batalha, luta dura, mas temos que mostrar e eu sei o quanto podemos perder. Temos que discutir os mínimos detalhe desta questão”, avaliou.

O apoio veio com critica acida de Eduardo Romero (REDE). ” Vários pontos da cidade que eram mal vistos, hoje se fizeram habitáveis por completo com estrutura feita por construtores local. Não sei onde estavam com a cabeça na edição desta portaria, que não levou em consideração a realidade do País. Desconsiderou o País como é, em sua dimensão e quem é que o constrói. E temos que frisar, que não é a defesa do setor da construção civil, mas de toda sociedade, do sonho da casa, do asfalto, dos empregos e da economia em geral”, criticou.

O Alex do PT lembrou que é do governo que construiu o Programa e a realidade, mas que nem iria entrar nesse mérito para não desvirtuar para o lado politico atual., pois antes de tudo vê que “o melhor movimento social é o trabalhado pelos pequenos, por grupos local, cooperativa. E as grandes construtoras não tem responsabilidade social, não compram no município, como lembrado por você Castilho. Vem aqui e só levam nosso dinheiro e ainda deixam, como temos visto, casas que vem caindo por baixa qualidade”, apontou.

As novas regras que serão inviáveis

Adão Castilho ainda lembrou que terrenos em áreas onde têm asfalto são muito mais caros. “Isto torna inviável a construção de um imóvel pelos valores do programa Minha Casa Minha Vida e ou as casas terão que ser aumentada nos valores a ser pago”, diz.

Castilho, também pontua que a Portaria 160 ainda prevê que a partir de janeiro, só pessoas jurídicas podem construir pelo Minha Casa Minha Vida. “Hoje, a maioria de quem atua no setor é pessoa física, precisamos que o governo dê um prazo, pelo menos 10 meses, para que os pequenos construtores se formalizem”, explica. Ele completa exaltando, que isto prejudica toda uma cadeia produtiva, entre os depósitos de material de construção, corretores de imóveis, e agentes financeiros.

O presidente do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Campo Grande), José Abelha, também se posiciona e afirma com certeza que a Portaria 160 vai gerar desemprego. “As empresas que estão regularizadas ajudam a fomentar o setor, gerando emprego e renda”, diz Abelha.

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