Condenado a 10 anos de prisão homem que incendiou à mulher na Capital

Lúcio Borges

O ateador de fogo que quase mata a mulher

O réu por tentativa de feminicidio em Campo Grande, Gilson Ferreira da Silva, 39 anos, após dez meses do crime, foi condenado a quase 11 anos de prisão, na tarde desta segunda-feira (8). Ele já esta em prisão continuará neste período por atear fogo em Adriele de Fatima Soares Silvaz, 28 anos, em dezembro do ano passado no conjunto Ramez Tebet, região Sul de Campo Grande. O réu ainda foi condenado a pagar uma indenização de R$ 10 mil a mulher, que ficou com sequelas graves após o crime. Na época, a jovem teve 57 dias internada na Santa Casa, três cirurgias e muitas outras previstas em uma tratamento mínimo de três anos.

Gilson foi julgado nesta manhã pela 1ª Vara do Tribunal do Júri, em sessão extraordinária e condenado por homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio na forma tentada. A pena pelos crimes somariam 16 anos de prisão, levando em consideração os antecedentes de Gilson e a confissão – que reduz um ano da pena. Mas, como o crime foi julgado na forma tentada, seis anos foram reduzidos e a pena final foi fixada em 10 anos e oito meses de prisão no regime fechado.

Diante da gravidade do estado de saúde da vítima, que perdeu os movimentos do braço direito, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, decretou o pagamento de indenização por danos morais a ela em R$ 10 mil ante ratificação por videoconferência, que Adriele de Fátima contou detalhes da relação com o suspeito e detalhes do ocorrido em 10 de dezembro de 2017.

“Eu já estava cochilando quando senti um liquido escorrendo pelo meu corpo. Acordei. Era gasolina. Ele riscou o fósforo. Levantei e fui pra cima dele. Ele tentou apagar o fogo para não se queimar. Ai, eu tentei correr para pedir ajuda. Ele me segurou. Falei: olha meu braço. Está derretendo! Se você me ama deixa eu correr. Ele não queria deixar com medo da polícia. Jurei que não ia denunciá-lo. Ele só falava: olha o que você me fez fazer”. Adriele foi socorrida pelos vizinhos que ouviram os gritos. Gilson fugiu e se apresentou à Polícia Civil dois dias depois.

Queria obrigar a sexo

Adriele afirmou que a briga começou porque ela não quis manter relação sexual com ele. Os dois estavam em casa consumindo bebida alcoólica e usando droga. Ela queria sair. Ele não. Os dois estavam há dois dias sem dormir. Ele, então, a esperou cochilar para jogar gasolina e atear fogo no corpo dela.

A jovem além de todo tempo de quase dois meses internada na Santa Casa, cirurgias e previstos em uma tratamento mínimo de 3 anos, ainda perdeu o movimento do braço direito e não pode se expor ao sol. Na época, os dois viviam há cerca de dois anos juntos. “Ele sempre me agrediu. Já tinha tentado quebrar meu pescoço e jogar uma geladeira em cima de mim. Não me deixava trabalhar nem usar minhas roupas porque eram justas”.

Após ouvir a ex-mulher, Gilson contou que cometeu o crime em meio a um “surto”, pois estava “bêbado e drogado”. “Só lembro que peguei a gasolina e joguei. Assustei quando vi o fogo e apaguei as chamas. Ela saiu correndo e pediu socorro. Eu fugi. Me escondi assustado. Me arrependo muito. Era feliz com ela. A culpa foi minha. Não foi dela. Mas estávamos discutindo e eu surtei”, relatou.

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