Com superlotação em delegacias, policiais civis ameaçam paralisar serviço

No último sábado (21), o policial civil Arlei Macedo Farias, 38 anos, foi espancado por presos na delegacia de Itaquiraí, distante a 394 quilômetros de Campo Grande, no momento em que estava entregando marmitas aos detentos. O policial teve afundamento craniano e está internado em um hospital de Dourados, onde passou por uma cirurgia na manhã desta segunda-feira (23). O caso, que não é o primeiro a ser registrado no Estado, alerta para um problema recorrente: a superlotação das delegacias de Mato Grosso do Sul.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civil de Mato Grosso do Sul (Sinpol-MS), Giancarlo Corrêa Miranda, Arlei estava fazendo a custódia de 21 presos sozinho no momento em que foi agredido. “Apenas um policial para cuidar de 21 detentos. Não podemos esperar que outro crime ocorra para que providências sejam tomadas”, relatou o presidente.

DSC_0033
Paulo e Giancarlo falaram com a imprensa na manhã desta segunda-feira (23). Foto: Kerolyn Araújo

Ainda segundo Giancarlo, é comum que policiais civis façam a custódia de presos nas delegacias do Estado, porém essa atitude é um risco para o servidor e toda a população. “Policial civil não é agente penitenciário. Não recebemos treinamento adequado para custodiar preso. A superlotação também é outro problema. A 4ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, por exemplo, tem capacidade para abrigar 24 presos, mas no momento está com 48”, explicou. Além da superlotação, as celas são feitas para abrigar o preso por pouco tempo e possuem estruturas de fáceis violação. 

Somente em 2015, foram registrados oito ocorrências nas delegacias do Estado, sendo duas delas em Água Clara, onde quatro presos fugiram após agredirem o policial que estava fazendo custódia com uma barra de ferro retirada do concreto da cama. Em 80% das delegacias o policial trabalha sozinho, ficando responsável por custodiar presos e atender também as outras demandas. Em Sidrolândia, um único policial está fazendo a custódia de 26 presos, inclusive liberando para o banho de sol, o que representa um risco para o servidor, que é obrigado a ter o contato direto com os detentos.

Delegacia onde policial foi agredido no último sábado. Foto: Divulgação/ Assessoria
Delegacia onde policial foi agredido no último sábado. Foto: Divulgação/ Assessoria

Segundo o sindicato, o remanejamento de presos para outras cadeias com menos lotação e construção de mais cadeias públicas poderiam ajudar, mas não resolveria o caso, já que o Estado tem um déficit de aproximadamente 600 policiais.

O sindicato já acionou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e aguarda um posicionamento. Segundo o vice-presidente do Sinpol, Paulo Queiroz, caso o problema não seja resolvido, metidas extremas serão tomadas. “Se precisar, vamos entregar as chaves das delegacias”, finalizou.

Kerolyn Araújo

Comentários

comentários