Com maioria de MS, Brasil ganha quarto ouro seguido no futebol de cinco

Seleção Brasileira de futebol de cinco conquistou tetracampeonato (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Seleção Brasileira de futebol de cinco conquistou tetracampeonato (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

A seleção brasileira Paralímpica de futebol de cinco foi novamente campeã e chegou neste sábado (17), a quarta medalha de ouro seguida na modalidade, que tem atletas de Mato Groso do Sul, em maior número no time do Brasil. Os sul-mato-grossenses compõe o grupo com sete atletas, desde que a modalidade entrou no programa dos Jogos, em Atenas-2004, onde desde então, o Brasil não sabe o que é perder. O Centro Olímpico no Parque da Barra, Rio de Janeiro, ficou lotado, para ver a seleção brasileira de futebol de cinco confirmar o favoritismo na competição e vencer o Irã por 1 a 0. A partida, como o Página Brazil publicou a dez dias, estava entre os dez eventos imperdíveis nos Jogos Paraolímpicos Rio-2016.

O jogo contra o Irã foi a quinta partida da seleção brasileira nas Paralimpíadas. Até a final, o Brasil venceu três jogos e empatou um. Ontem, o gol da vitória foi marcado por Ricardinho, aos 12 minutos do primeiro tempo, fazendo a quarta vez seguida que o Brasil ganha o ouro na modalidade.

O título é o quarto seguido, são quatro edições dos jogos no lugar mais alto do pódio, mas estes tiveram um sabor especial para o autor do lance decisivo. “Foi diferente porque jogamos em casa, com a nossa torcida perto e eu tive uma lesão muito forte. Vai ficar marcado para mim. Quando eu tive o laudo que tinha rompido dois ligamentos, achei que não ia dar mais. Mas você vê como são as coisas… sair do fundo do poço para fazer o gol do título”, disse Riardinho.

De acordo com o técnico Fábio Vasconcelos, a vibração que veio das arquibancadas colaborou bastante para o desfecho do campeonato.”O público ajudou muito. O campeonato foi muito difícil, perdemos dois jogadores antes dos jogos. Mas a torcida ajudou muito. Decidimos o título nos detalhes”.

O jogo e campanha em geral

No geral, a partida contra o Irã foi equilibrada, conforme indica o placar apertado. Mesmo com o domínio da posse de bola e com mais chances de gol, o Brasil parou na muralha iraniana do goleiro Shojaeiyan. Em quase todas as jogadas, ele defendeu. Mas, dos 22 chutes do Brasil no jogo, uma entrou. Ricardinho ratifica, mas levou a melhor e foi campeão. “O goleiro do Irã é muito alto e bom e o Fábio (técnico) orientou para a gente chutar bola rasteira. Quando foi lá, eu arrisquei foi lá. Só alegria”, explicou o autor do gol brasileiro.

Na estreia, a seleção enfrentou Marrocos. Teoricamente, esse seria o adversário mais fraco do Grupo A. Porém, o Brasil chegou a estar perdendo o jogo. Só no segundo tempo o Brasil virou. Com gols de Ricardinho, Nonato e Jefinho, ganhou por 3 a 1. A segunda partida foi contra a Turquia. Adversário duro, os turcos catimbaram durante todo o jogo. A barreira turca foi quebrada aos 13 minutos do primeiro tempo, com Ricardinho. Cássio marcou o segundo gol, de pênalti. Para além dos gols, um lance que chamou atenção foi a agressão do turco Bayraktar em Cássio. O juiz demorou para ver o soco que ele deu no brasileiro e só foi “alertado” por vaias da torcida após o lance. O turco levou o vermelho.

Já classificada, a seleção entrou para em campo contra o Irã no 3º jogo da primeira fase. O técnico Fábio Vasconcelos aproveitou para poupar Ricardinho e os zagueiros Cássio e Damião. A partida marcou a estreia do angolano Maurício Dumbo em Paralimpíadas. Vindo de um país em guerra, ele adotou o Brasil como casa há 15 anos. Dentro da quadra, o jogo ficou no 0 a 0 e o Brasil passou em primeiro.

A semifinal foi tensa contra a China. As seleções reeditaram jogos duros de 2008 e 2012. O time asiático chegou a estar na frente no placar. Mas aí Jefinho foi decisivo. Com Ricardinho fora de campo por causa de um choque de cabeça, Jefinho marcou dois golaços e colocou o Brasil na final. No primeiro deles, ele lembrou Maradona na Copa de 1986 contra a Inglaterra. O jogo terminou 2 a 1 e o Brasil foi para a final. Restava só mais um jogo, a decisão.

Futuro

A história mostra que o Brasil é hegemônico no esporte. Mas os jogadores esperam um aumento de incentivo à modalidade no país. De acordo com declarações dadas em uma entrevista na véspera da final, os campeões esperam que a visibilidade que o esporte paralímpico adquiriu no Rio garanta investimentos para as futuras gerações, já mirando as próximas paralimpíadas, a começar por Tóquio 2020.

Para Ricardinho, o retrospecto deve ser levado em conta. “Temos um dado a nosso favor. Há dez anos não perdemos um campeonato oficial. Esperamos que olhem para a gente. Não só governo como também iniciativa provada.

Para o zagueiro Cássio, a expectativa é que o resultado se traduza em reconhecimento. “Eu espero, a partir o dia 19, que os Jogos Paralímpicos do Rio tenham sido o primeiro grande passo em relação a apoio, a investimento no esporte. Sinceramente, eu espero que isto não pare por aqui. Que haja uma continuação e um projeto mirando 2020, mas com uma base sólida, com investimentos, pois só assim a gente vai conseguir novas metas”, disse o zagueiro.

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