Com Casa Civil esvaziada, Onyx assume pasta pressionada por resultados

VEJA/JP

Aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, o agora ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni terá a missão de comandar uma pasta que administra temas caros ao governo e que tem recebido críticas de aliados pela baixa entrega de resultados.

Enquanto esteve à frente da Casa Civil, Onyx Lorenzoni viu a sua pasta ser esvaziada pouco a pouco. Em junho do ano passado, a articulação política foi transferida para a Secretaria de Governo, comandada pelo general Luiz Eduardo Ramos – nos bastidores do Congresso, inclusive, caciques políticos se queixavam do fato de Lorenzoni não ter cumprido promessas feitas pelo Executivo. Em janeiro deste ano, após o episódio no qual o então número dois de Lorenzoni, José Vicente Santini, utilizou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para fazer viagens à Suíça e à Índia, Bolsonaro transferiu o Programa de Parcerias de Investimentos para o Ministério da Economia

Na Cidadania, por sua vez, Lorenzoni será responsável por conduzir as ações do governo para o Bolsa Família, a política antidrogas e o projeto Pátria Voluntária, tocado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro. O ex-ministro da Casa Civil precisará de jogo de cintura e eficiência na gestão para contornar a crise que atinge o programa assistencial de transferência de renda. No primeiro ano do governo Bolsonaro, a fila de espera para ter acesso aos repasses mensais do Bolsa Família chegou a cerca de 494 mil famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza, com renda mensal de 89 reais a 178 reais por pessoa – o número representa a maior alta de famílias à espera de serem incluídas no programa de transferência de renda desde 2015, quando 1,2 milhão ficaram de fora. A fila havia sido zerada em 2018, ano que terminou com toda a população apta a receber os benefícios atendida.

Além disso, a pasta praticamente paralisou a entrada de novos beneficiários desde junho do ano passado, quando a quantidade de novas famílias aceitas na folha de pagamento despencou de 250.000 para 2.500 – e se manteve até dezembro nesse ritmo.

Na avaliação de parte da base aliada do presidente, o antecessor de Lorenzoni na Cidadania, o emedebista Osmar Terra, que agora retomará o mandato de deputado federal na Câmara dos Deputados, era raso tecnicamente e entrava em embates ideológicos para agradar Bolsonaro. A ausência na entrega de resultados contribuiu ainda para que Terra perdesse a Secretaria da Cultura para o Ministério do Turismo – a Secretaria de Esporte também balançava na estrutura da pasta, mas, por ora, não há definição sobre o seu destino.

Sabedor de seu desafio, Lorenzoni publicou um vídeo em seu perfil no Twitter em que afirma que irá cumprir “a nova missão” entregue a ele por Bolsonaro “com o mesmo zelo, a mesma dedicação e com o mesmo empenho” em que atuou como ministro-chefe da Casa Civil. “Aqui não importa o número da camiseta”, acrescentou, em alusão à troca de função na Esplanada dos Ministérios.

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