CNBB lança campanha da fraternidade com foco na participação popular

Lúcio Borges

Dom Dimas em Campo Grande

Como acontece há 57 anos, na quarta-feira de Cinzas do Brasil, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançou na manhã de hoje (6), a tradicional Campanha da Fraternidade. Em 2019, a ação da Igreja Católica nacional, que alem de trabalhar o lado religiosos, tem seu viés sócio-politico, sendo o atual tema “Fraternidade e Políticas Públicas”. O lançamento oficial foi em Brasilia, na sede da entidade, mas cada Estado/Capital também tem que fazer ou faz o anuncio em suas sedes, como a Arquidiocese de Campo Grande apresentou a imprensa documentos e objetivos, bem como ratificou, como também é tradição na Capital, que fará no próximo domingo (10), a abertura com os fiéis, em missa especial no Ginásio Poliesportivo Dom Bosco.

Conforme o Arcebispo da Capital, Dom Dimas Lara Barbosa, neste ano, a ação, que é realizada anualmente pela CNBB , visa com o tema ”Fraternidade e Políticas Públicas” e lema ”Serás libertado pelo direito e pela justiça”, dar visibilidade ao que ocorre ou deixa de ocorrer em benefício do cidadão. “O objetivo é estimular a população a se envolver na formulação de políticas públicas. O texto-base da campanha descreve, por exemplo, as etapas da elaboração de uma nova lei e cita os canais de participação social garantidos na Constituição, como o projeto de lei de iniciativa popular”, disse.

O arcebispo de Campo Grande, lembrou e enfatizou que o tema da campanha deste ano, não pode ser falado que tem ligação como atual gestão no País, pois é uma continuação do tema do ano passado, que discutiu “Fraternidade e superação da violência”. Conforme o arcebispo, discutir e estimular políticas públicas é necessário na sociedade. ”Hoje em dia existem muitas leis que não saem do papel, que estão na Constituição e não acontecem. Temos que continuar o tema ou os temas que tem relação direta e afligem nossos fiéis e cidadãos em geral”, disse.

Criada em 1962, a campanha é apresentada todo ano na quarta-feira de cinzas, quando tem início a Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, onde a Igreja no Brasil instituiu a reflexão e debates, que contribuam com a religiosidade individual neste período, considerado de conversão, bem como para toda sociedade. Assim, o bispo também ressaltou a importância dos temas da campanha de 2018 e 2019 para sociedade, ratificando que cabe o assunto da violência contra mulher. ”Hoje, muitas mulheres não denunciam por medo ou por certo escrúpulo religioso. Elas pensam que porque prometeram ser fieis na saúde e na doença, devem aguentar tudo. Isso é uma falsa interpretação da promessa do matrimônio. Ela não prometeu que é obrigada a apanhar e a ser maltratada”, disse.

Pela CNBB

Campanha da Fraternidade vai chamar atenção para políticas públicas
Campanha da Fraternidade vai chamar atenção para políticas públicas

O evento na sede da CNBB, teve como no ano passado, a presença da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que participou da cerimônia de lançamento da campanha. Ela disse que o Ministério Público Federal está em sintonia com o tema. Para Dodge, políticas públicas devem garantir os direitos da população e reduzir as desigualdades. “As políticas públicas devem resultar na inclusão de todos, com qualidade e contato humanitário. De modo a que ninguém esteja fora de seu alcance de proteção”, disse a procuradora-geral.

De acordo com Dodge, a boa execução de políticas públicas passa diretamente pelo combate à corrupção. Segundo ela, o dinheiro público desviado pela corrupção deixa de ser usado em sua função original, que é atender a população. “Então zelar para que não haja corrupção é uma forma de zelar para que a arrecadação de impostos não seja tão elevada, mas, sobretudo, é uma forma de zelar para que o dinheiro dos impostos, que deve financiar políticas públicas, seja gasto apenas com elas [políticas públicas], e não para enriquecer ilicitamente os corruptos, os que desviam recursos públicos”, completou Dodge.

Para os mais pobres

Ao final do evento, o cardeal Sérgio da Rocha, presidente da CNBB, afirmou que a Igreja seguirá estimulando a elaboração de políticas públicas que assegurem os direitos dos mais pobres. “Nesse momento, nós continuamos também a alertar para que, ao pensar a vida política do país, sobretudo políticas públicas, se assegure os direitos fundamentais da população, especificamente dos mais pobres”, disse Rocha.

Cardeal Sérgio da Rocha, presidente da CNBB, falou sobre a campanha da fraternidade
Cardeal Sérgio da Rocha, presidente da CNBB, falou sobre a campanha da fraternidade

O secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, disse que a Igreja pode contribuir não só acompanhando a execução de políticas públicas, mas também apresentando propostas.

“Nós, como Igreja, queremos dar a nossa colaboração, refletindo as políticas públicas, propondo políticas públicas, e por que não dizer, acompanhar as políticas públicas”, afirmou Dom Steiner.

Comentários