Clipe de Emicida retrata revolta de empregadas domésticas

O vídeo tem direção de João Wainer (“Junho”) e Kátia Lund (“Cidade de Deus”)

Emicida lança novo clipe  (Foto: Divulgação)
Emicida lança novo clipe
(Foto: Divulgação)

Uma madame recebe convidados para o almoço em uma mansão paulistana. Para servir a comida, estão mobilizadas pelo menos quatro das empregadas domésticas da casa -entre elas, uma jovem de cabelos entrançados.

No novo clipe do rapper Emicida, “Boa Esperança”, que será lançado nesta terça-feira (30) no canal MTVHits e em seu canal do Youtube, os maus-tratos da patroa com a jovem empregada são a gota d’água que inicia uma revolta na mansão, com direto até a lança-chamas.

Com direção de João Wainer (“Junho”) e Kátia Lund (“Cidade de Deus”), o vídeo foi filmado em apenas um dia e, das 75 pessoas que trabalharam na equipe, conta Katia, apenas os atores receberam um cachê -“simbólico”.

Katia conta que a ideia da revolução dos empregados partiu de Emicida, cuja mãe -dona Jacira, que atua no clipe e é responsável por fazer arder em chamas as roupas dos patrões no varal- foi empregada doméstica. “No início, ele queria que as empregadas fizessem o rap, mas aí ia cair pra uma coisa comédia,” diz a diretora.

Depois, o rapper teria mudado de ideia e pedido que se fizesse algo com um tom mais sério. No entanto, ao contrário do que se pode imaginar, “Boa Esperança” não traz cenas de violência, e sim humilhação. Primeiro, das empregadas pela patroa -que censura o riso das funcionárias, por exemplo.

Quando ela avança para cima da jovem dos cabelos entrançados, representada por Domênica Dias, filha do rapper Mano Brown, para arrancar-lhe o batom à força, o jogo se inverte.

OCUPAÇÃO MAUÁ

“Sempre começo meus trabalhos com pesquisa”, diz Kátia, “então o Emicida nos levou para a Ocupação Mauá”.

A Ocupação Mauá, localizada na Luz, no centro de São Paulo, foi criada em 2007, sofreu uma ameaça de reintegração de posse em 2012, e passa, no momento, pelo processo de desapropriação iniciado pela prefeitura na gestão Haddad. O prédio, onde vivem mais de 200 famílias, foi cenário da gravação do clipe “Marighella”, dos Racionais de Brown.

Lá, os diretores e um preparador de elenco se reuniram com moradoras para ouvir suas histórias na profissão de empregadas domésticas. “Algumas histórias nos marcaram muito, como uma, da dona Divina, que contou que um dia estava conversando com a patroa e rindo, e a patroa disse ‘nossa, parece uma égua’,” conta Kátia.

Dona Divina foi escolhida para representar uma das personagens, assim como outras moradoras da Mauá, todas com vivência como empregadas. Além delas, de dona Jacira e de Domênica, participam ainda no clipe -na posição dos revoltosos- Jorge Dias, irmão de Domênica, como o mordomo, a modelo Michelli Provensi, além do próprio Emicida, no papel do vigia da mansão.

“Boa Esperança” faz parte do novo álbum do rapper, que deve ser lançado em agosto e trará inspirações da viagem de Emicida a Angola e Cabo Verde, países da África lusófona, no começo do ano.

Folha.com

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