Ciro Gomes não aprova Diretas Já, mesmo com ‘Brasil de Temer atingindo tragédia máxima’

Lúcio Borges

Ciro e membros do PDT em MS (Foto: Lúcio Borges)

A atual situação do Brasil, que já vinha se arrastando e piorou com novo escândalo revelado ontem a noite, que envolve diretamente o presidente Michel Temer, não será em si, um mote para se fazer novas eleições para a Presidência da República. O até imponderável, vem de opinião ou convicção do provável presidenciável, Ciro Gomes, que não ‘aprova’ as chamadas e solicitadas Diretas Já, mesmo ele avaliando, que o ‘Brasil de Temer atingiu a tragédia máxima’ e que “A democracia morreu no Brasil”, como o Página Brazil publicou em matéria anterior. A posição do ex-ministro, ex-governador do Ceará, foi dita em Campo Grande, em evento do seu partido, o PDT, nesta quinta-feira (18). Ele comentou a situação de Temer (PMDB), depois do escândalo, como sendo “insustentável” e que o melhor caminho seria o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassar o mandato, e, se fazer as eleições indiretas, como prevê a sequência do processo eleitoral, no tempo passado das eleições 2014. Ciro, não se colocará nesta possível ação, que será feita pelo Congresso Nacional.

Ciro Gomes, defende que se tenha calma, ponderação, se defenda e pratique efetivamente a Constituição, que vem sendo derrubada. “Atingimos o limite da tragédia e devemos olhar para Constituição agora, intrinsecamente, onde se tem todas as respostas. Não podemos mexer a qualquer momento, ainda mais em momento da alta crise, do olho do furacão. Não concordo com a ‘Diretas Já’, porque é uma resposta fácil, que querem dar, mas que não resolve e se passa por cima de tudo que manda a Carta Magna. Se deve seguir os ritos, fazer a escolha, após a cassação, de forma que se esta determinado, com convocação de eleições indiretas e que se busque um nome ‘que pacifique o País’, neste momento de transição, que será. Até porque, se for eleito outro agora, para mandato tampão, seu fim não resolverá, pois será até um suicídio para quem entrar, com o mesmo Congresso Nacional e sistema vigente”, avaliou.

Assim, após eventual saída de Temer, das possibilidades que se apresentam, Ciro defende ou ratifica a aplicação da Constituição, pelas Instituições e processos que vem sendo realizados, pelo julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), como o que pode vir pelas eleições indiretas ante fim do mandato de Temer, que foi flagrado em gravação dos irmãos Joesley e Wesley Batista da JBS, autorizando o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) a intermediar a resolução de um assunto relativo a holding J&F, bem como em calar o ex-deputado Eduardo Cunha.

“A Diretas Já, decorreria de uma mudança na Constituição e creio que não deve mudar nada, ainda mais no centro da crise. Já tivemos o Impeachment da Dilma, que foi política ou de politicagem, promovida pelos políticos que promoveram uma aberração, sem crime de responsabilidade, que não existiu aqui e nem em lugar nenhum do mundo. Já há o processo do TSE, que pode cassar, e, é ou será o melhor caminho. Se cassar, é de ação de uma instituição regular funcionando, fazendo seu papel, não são os políticos usurpando o Poder de um/a eleita, como foi feito. Será a instituição regular do Pais que fez uma investigação, teve provas e direito de defesa ou ao contraditório, que inclusive se arraste a mais de dois e tem ou terá um veredito”, comentou Ciro.

Eleição Indireta

Possível candidato do PDT à presidência em 2018, o ex-governador afirmou que não apresentaria seu nome agora, caso fosse convocada eleições. “Para começo, eu não vou, nunca irei a ser eleito que não seja pela mão do povo. E teria que assumir com este Congresso que está ai? Não teria vontade, mas cabe o partido a decisão, só quero servir o País”.

Assim, Gomes quer que siga a eleição indireta e se chame um nome parar pacificar o país, para garantir a Constituição e todas as punições a quem quer que seja.

Denuncia

Na deleção premiada dos irmãos Batista, eles ainda contam que disseram para Temer que estavam pagando uma mesada para ex-deputado federal, cassado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao operador Lúcio Funaro para permanecerem calados na prisão. A situação foi incentivada por Temer, que afirmou o pagamento deveria ser mantido.

Diante disso, Gomes afirma que a permanência de Temer “é insustentável”. “Inclusive é um governo golpista, sem legitimidade”. Reformas trabalhistas e previdenciária, que estavam em andamento até então, devem ficar para depois das eleições gerais.

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