Cientistas desvendam genética e vida de Luca, “pai” de todos os seres vivos

Cientistas descobriram como vivia o primeiro ancestral comum universal, ou Luca, na sua sigla em inglês, no ambiente hostil que era a Terra há bilhões de anos. A forma mais primitiva de vida do planeta seria um organismo de uma única célula que não precisava de oxigênio e se alimentava de nitrogênio.

O mais antigo ancestral universal teria vivido em locais quentes e ricos em mineirais, como perto de vulcões submarinos
O mais antigo ancestral universal teria vivido em locais quentes e ricos em mineirais, como perto de vulcões submarinos

O Luca teria surgido há 4 bilhões de anos – quando a Terra tinha “apenas” 560 milhões de anos.

O retrato genético do nosso mais velho ancestral foi publicado na revista Nature Microbiology nessa segunda-feira (25). O estudo indica que o Luca era adaptado para sobreviver ao calor, a ambientes sem oxigênio e ricos em minerais, talvez semelhante aos vulcões submarinos que temos hoje na Terra.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores da Universidade Heinrich Heine, na Alemanha, analisaram as relações evolutivas de 6,1 milhões de genes unicelulares que codificam proteínas em busca daqueles que poderiam ter sido originados do Luca e encontraram 355 grupos de proteínas que se encaixaram nesses critérios.

A pesquisa aponta que o Luca usava dióxido de carbono, nitrogênio e hidrogênio para manter seus processos metabólicos, segundo William Martin e seus colegas. O nosso ancestral mais velho também era dependente dos chamados metais de transição, como ferro, e de outros elementos, como o selênio.

Micrografia eletrônica de varredura mostra bactéria "Clostridium difficile" em uma mostra de fezes. Os clostrídios têm "estilo de vida" semelhante ao do Luca
Micrografia eletrônica de varredura mostra bactéria “Clostridium difficile” em uma mostra de fezes. Os clostrídios têm “estilo de vida” semelhante ao do Luca

Com base nestas relações evolutivas, eles concluíram que alguns organismos vivos hoje têm estilos de vida semelhantes ao Luca, como os clostrídios (bactérias) e metanógenos (Archaea).

O conceito do Luca é central para o estudo da origem e evolução da vida na Terra. O trabalho dos pesquisadores da Universidade Heinrich Heine dá novas evidências que apoiam a teoria de que a vida no nosso planeta descende de organismos autotróficos, ou seja, que são capazes de criar substâncias nutricionais orgânicas a partir de substâncias inorgânicas, tais como CO2, em um ambiente hidrotermal.

Há controvérsias

As descobertas de William Martin e sua equipe têm causado controvérsias no meio acadêmico. O modelo de Martin, que se baseia em hidrogênio e metais presentes em fontes hidrotermais, se opõe às teorias do químico John Sutherland, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, que afirma que o Luca teve um desenvolvimento terrestre.

Ao “The New York Times”, Martin argumenta que faltam tantos genes necessários para a vida no Luca, que o organismo precisava do suporte dos componentes químicos encontrados no “habitat”. Por isso, ele poderia ser considerado apenas “meio vivo”, escreve.

Outras teorias afirmam que o Luca, na verdade, era um organismo altamente sofisticado e que a formação de sistemas vivos aconteceu a partir das substâncias químicas presentes na Terra primitiva. (UOL)

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