Cerveró deixa prisão em Curitiba para cumprir pena em casa

Após ficar preso em Curitiba por quase um ano e meio, o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, deixa o Completo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, nesta sexta-feira (24) e passa a cumprir a sua pena em prisão domiciliar. Ele colocou a tornozeleira eletrônica nesta quinta-feira (23).

Nestor Cervervó, preso na operação Lava-aJato, deixou Curitiba nesta sexta-feira, utilizando tornozeleira eletrônica - Geraldo Bubniak / Agência O Globo
Nestor Cervervó, preso na operação Lava-aJato, deixou Curitiba nesta sexta-feira, utilizando tornozeleira eletrônica – Geraldo Bubniak / Agência O Globo

Nestor Cerveró segue para a sua casa em Itaipava, Rio de Janeiro, onde mora. O voo comercial partiu às 10h45 da manhã desta sexta-feira.

A prisão domiciliar faz parte do acordo de delação premiada, que foi firmado por Cerveró com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em novembro de 2015. O acordo de delação também prevê a devolução de R$ 18 milhões aos cofres públicos e que as penas, somadas, não passem de 25 anos de prisão. Cerveró decidiu colaborar após ser condenado a 27 anos e 4 meses em processos decorrentes da operação.

Cerveró está preso desde janeiro de 2015, condenado nas ações penais da Operação Lava Jato. Ele foi condenado em dois processos por corrupção e lavagem de dinheiro e ainda responde em outra ação relacionada à 21ª fase da operação, a Passe Livre, que prendeu também o pecuarista José Carlos Bumlai.

Cerveró é apontado como um dos beneficiários dos desvios de verba da área internacional da Petrobras – em apenas dois contratos para operação de navios-sonda, ele teria recebido US$ 40 milhões. Na colaboração, Cerveró citou nomes de políticos do PMDB que teriam recebido vantagens indevidas. Ele também disse que ganhou do ex-presidente Lula um cargo na BR Distribuidora como forma de “reconhecimento” por ter ajudado a quitar uma dívida do PT com o Banco Schahin. Por fim, disse acreditar que a presidente afastada Dilma Rousseff tinha conhecimento do esquema de desvios da Petrobras.

Uma de suas maiores contribuições para a Operação Lava Jato foi a prisão e consequente acordo de delação premiada de Delcídio do Amaral. Foi o filho de Cerveró que fez as gravações que culminaram na detenção de Delcídio – nas conversas gravadas, o senador cassado oferecia dinheiro à família de Cerveró para que ele não firmasse o acordo de delação.

Delcídio presta depoimento hoje, pela primeira vez, ao juiz Sérgio Moro, como testemunha de acusação na ação que investiga o ex-senador Gim Argello, suspeito de receber propina para não convocar empreiteiros para a CPI da Petrobrás.

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