Católicos lotam centro da Capital para decorar ruas e celebrar o Corpus Christ

Foto na Rua 14 de julho esquina com Antonio Maria Coelho da dimensão dos fiéis na rua (Fotos: Lúcio Borges)
Fiéis da Rua Antonio Maria Coelho a Av.Fernando C da Costa constroem tapete decorativo (Fotos: Lúcio Borges)

A quinta-feira (26) é de feriado nacional, mas em dia religioso de Corpus Christ, que marca uma das data mais importantes para aqueles que professam a Fé Católica no mundo. Mas, o dia de folga para milhares de católicos é na vida diária, passando a se dedicar ao ato da igreja, que neste dia começa bem cedo para preparar a tradicional celebração de exposição e adoração do ‘Corpo de Cristo’, que em Campo Grande acontece na Rua 14 de Julho, entre as avenidas Mato Grosso e Fernando Corrêa Costa. O dia se torna todo celebrativo, sendo também muito conhecido pela decoração do ‘tapete’ ao logo das vias, que é confeccionado durante a manhã, por membros de 37 paróquias da Arquidiocese da Capital, para a tarde realizarem o ato oficial da Santa Missa.

O Frei Igor Gonçalves, 21 anos, explica que a participação dos fiéis começa dias antes e hoje bem cedinho, já por volta das 6 horas, foram as ruas para colocar a criatividade em ação e produzir a beleza do tapete, que fica estampado no chão. O religioso, ressalta, apontando a produção, que são desenhos de imagens sacras feitas em detalhes, individualmente ou a ‘muitas mãos’, para fazer a principal rua do centro da cidade se transformar em bela arte de exposição da devoção e Fé da Igreja.

“A Igreja e os fiéis fazem deste dia, uma expressão pública do ato de amor e devoção do povo pelo Corpo de Cristo, na Eucaristia recebida. Produzimos a beleza dos tapetes, para calçar os pés do humano, do arcebispo, para passar com o Cristo Eucarístico no meio de seu povo. Além de mostrarmos toda a riqueza de nossa Fé e o real sentido do pregado por Cristo, que a união e a coletividade constroem a vida”, comenta o frei da Ordem dos Capuchinhos da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, do jardim São Bento, região sul da Capital. Ele, em nosso vídeo, explica ainda todo o significado da data e momentos vividos pelos fiéis antes, durante e depois da celebração.

Os milhares de fiéis, na maioria jovem, se sentem realizados e com muita satisfação ao ‘invadiram’ a via para fazer a confecção do tapete, que cada paróquia é responsável pela elaboração de 30 metros da decoração, que nesta ação já faz parte da celebração. Por volta do meio-dia, os religiosos devem terminá-lo, e, às 15 horas, realizar a missa especial, que acontecerá na esquina da Mato Grosso com a 14 de Julho. “Em pleno século 21, feriado, as pessoas poderiam estar em suas casas descansando e apesar de todo o relativismo da sociedade hoje, as pessoas tem sede, buscam Deus, que se expressa como nesta manifestação de Fé”, aponta o Frei Igor.

Karolaine veio da comunidade Santa Luzia, que pertence a Paróquia São João Batista
Karolaine veio da comunidade Santa Luzia, que pertence a Paróquia São João Batista

A jovem Karolaine Silva, 15 anos, expressa a alegria e participação dos fiéis, que fica traduzida nas palavras entre os grupos e a reportagem, e, acima de tudo no momento do trabalho realizado e dedicado a dar forma as figuras desenhadas e pintadas em tamanho grande ou em ‘esculturas’ feitas com pó de serra, tampinhas, areia e outros materiais que são em grande quantidade levadas até de camionete e carretinhas. “Uma semana antes nosso grupo já estava pintando o pó de serra e desenhando os moldes. Tudo é um ato gratificante primeiro a servir a Deus antes e agora. É uma forma de mostrarmos nossa Fé e participação na Igreja”, diz a jovem

Camionete veio lotada de material
Camionete veio lotada de material

sorridente, que ainda lembrou que na semana passada recebeu o sacramento do Crisma, sendo este um ato de continuidade de sua ação na comunidade Santa Luzia, do bairro que leva o nome da santa, na região norte da Capital.

Dedicação e revelação de artistas

A confecção do tapete para se tornar a ‘beleza aos olhos’ e acima de tudo no simbolo da devoção dos fiéis da passagem do Cristo Eucarístico, tem um longo caminho para ser feito e
revela além da dedicação dos fiéis, muitos artistas existentes dentro da Igreja, que poderiam ser lançado no mercado. “Vemos o quanto tudo fica bonito, do simples ao mais sofisticado, e como as pessoas se dedicam, se esforçam não sendo artistas e mesmo se descobrem na arte ou nos mostram seu talento no espaço que constroem com tanta beleza e detalhes”, comenta o Padre Dirson Pereira da Paróquia N. Senhora do Perpetuo Socorro.

A reportagem percorreu a 14 de julho e na esquina com a Dom Aquino, por exemplo, encontrou o jovem Marcelo Soares, que em total concentração encerrava um grande desenho de Cristo Redentor, nome de sua Paróquia no bairro Guanandi, região sudoeste da Capital.

Marcelo Soares_desenhista
O futuro engenheiro elétrico também tem o dom de desenhista artistico

Ele, ao parar por alguns minutos, ainda disse ao Página Brazil, que não é artista profissional e faz por prazer do desenho e de mostrar a Igreja. “Desenho por lazer e me dedico um pouco mais para mostrar as imagens de Cristo. É uma terapia e pratico também ou ajuda a mostrar nossa Fé e continuar essa bela tradição da Igreja. Mostrar a todo ‘mundo’, pois não são só católicos que veem ver a beleza dMarcelo2e nossa Fé e igreja”, ressalta o fiel desenhista, estudante de Engenharia Elétrica.

Corpus Christi

O padre Tadeu Canavarro, da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, no Bairro Santo Antônio, detalha que o dia marca o fim do “tempo comum” da Igreja, com o início de três celebrações importantes para os católicos, que é a festa da Santíssima Trindade, Corpus Christi e do Coração de Jesus.

Como também ressalta, com o Frei e jovens colocaram, que a celebração de Corpus Christ marca a expressão pública de seguir Jesus Cristo a partir da Eucaristia. “É o seguidor, são os católicos mostrando a quem segue, a quem se dedica e ir a rua com toda esta expressão é uma maneira de popularizá-la, e dizer que o Corpo de Cristo precisa ser recepcionado de uma maneira especial”, explica Canavarro.

Pao_belos desenhosApós a missa solene, que deve ser celebrada por cerca de 20 mil fiéis, com todos os bispos e padres da Arquidiocese, terminando por volta das 18 horas, começa a procissão, com o arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, carregando o Santíssimo que percorre todo o tapete.

O destino, saindo do altar na Avenida Mato Grosso, segue por 12 quadras, até a Avenida Fernando Correa da Costa, em frente ao Memorial da Cultura, onde acontece ainda alguns cânticos e a benção final. Todo o percurso será acompanhado de um trio elétrico, para puxar os fiéis a cantar e rezar pelo caminho.

 

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