Catadores rejeitam emprego na Solurb

A proposta oferecida pela Solurb e Prefeitura de Campo Grande,  de carteira assinada com salários de R$ 880 a R$ 1,8 mil dependendo da função para 200 dos 420 catadores não agradou a categoria.

Em reunião tensa, catadores recusaram proposta de emprego na Solurb. Alegam que no lixão ganham mais.
Em reunião tensa, catadores recusaram proposta de emprego na Solurb. Alegam que no lixão ganham mais.

Eles alegam que não querem um vínculo com a empresa e sim uma solução que atenda a todos os trabalhadores de forma justa. A solução mais eficiente, segundo o grupo, seria a ampliação da coleta seletiva na Capital e a transferência da administração da UTR (Usina de Triagem de Resíduos) para os catadores.

A reunião realizada na tarde desta segunda-feira, (28) na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), no Centro da Capital, teve a presença de representantes da prefeitura, Solurb e Defensoria Pública. Os catadores alegam que não querem ser empregados da empresa, mas obterem salários em um trabalho independente.

Assim como os catadores, o Município também já admite a reabertura temporária do lixão. O procurador-geral da prefeitura Denir de Souza Nantes disse que a prefeitura estudará a possibilidade de mover uma ação judicial pedindo a reabertura do local por tempo determinado.

Além da postulação da prefeitura, outra ação com o mesmo objetivo poderá ser movida pela Defensoria Pública Estadual que representa os catadores. O defensor Amarildo Cabral disse que a ação deverá estar formulada e pronta para ser impetrada até o fim desta semana. “Amanhã, às 9 horas faremos outra reunião com os catadores”, informou.

A ideia é manter o lixão aberto para os catadores trabalhares até que a coleta seletiva seja ampliada na Capital de modo a abastecer a UTR com material suficiente para todos trabalharem. Hoje, a quantidade é insuficiente até mesmo para os catadores que já estão no local. Segundo, os catadores, cerca de 400 pessoas sobrevivem da atividade de separar materiais no lixão da Capital.

Conforme os catadores, atualmente a Solurb enterra cerca de 900 toneladas de lixo por dia, e que deste montante, cerca de 300 toneladas são materiais recicláveis. “Enterrar pode? Catarmos o material não?”, questiona Rodrigo Leão.

O representante da Solurb na reunião Rafael Luiz Magalhães, gerente administrativo da empresa, disse que não tinha condições de discutir número por não ser a área de atuação dele. Contudo, assegurou que proposta da Solurb está aberta aguardando adesões. A empresa oferece vagas para coletor e varredor de ruas com salário de R$ 1,188; motorista com ganhos de R$ 1,656 e tratorista com vencimentos de R$ 1,206.

Contudo, os catadores alegam ter renda mensal de cerca de R$ 3 mil separando materiais recicláveis no lixão. Portanto, a proposta da empresa, na avaliação dos trabalhadores não é vantajosa. O desfecho da reunião aponta que um novo impasse judicial pode ocorrer no futuro em uma possível reabertura do lixão. O procurador do trabalho, Paulo Douglas Almeida de Moraes, reiterou que é contra a reabertura da área de transição por considerar o local insalubre para a presença humana. “Se precisar, moveremos ações também”, admitiu. O procurador ainda lamentou a recusa dos catadores à proposta da Solurb. “Acho que hoje os catadores deixaram escapar uma oportunidade de um trabalho digno e com vínculo empregatício”, ponderou.

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