Caso Mayara 2: Juiz decide que namorado vai a júri por feminicídio

Lúcio Borges

Roberson Foto: Reprodução/ Facebook

O jovem Roberson Batista da Silva, assassino da segunda Mayara, em crimes ocorridos no ano passado em Campo Grande, finalmente teve seu destino para julgamento, definido ontem (16). Ele irá ao banco dos réus no Tribunal de Justiça, pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e feminicídio contra a então namorada Mayara Fontoura Holsback. O crime, que ocorreu em setembro de 2017, na casa da jovem no bairro Universitário, região sul da Capital, foi pronunciado pela juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri. Ele já teria tentado matar ex-esposa e outros 10 crimes , como Página Brazil noticiou.

O jovem, que ficou foragido por dois meses,  sendo preso somente em novembro, foi apontado pelo magistrado, nos termos citados para ser avaliado e sentenciado pela ação criminosa ante a presente Mayara. Ela que entrou no rol dos graves crimes pela questão de gênero em violência domestica, como a homônima musicista Mayara Amaral, morta no mês de julho, também pelo um então namorado.

A decisão, que foi requerida pelo MPE-MS (Ministério Público Estadual), saiu nesta segunda-feira (16), após o término da última audiência sobre o caso, onde durante a audiência foram ouvidas duas testemunhas de defesa: a mãe e o irmão do acusado e, por fim, o réu foi interrogado. Em seu depoimento ele confessou a autoria do crime e relatou sobre o seu relacionamento com Mayara.

Conforme o MPE apontou já na denuncia, feita em 16 de novembro, o réu teria agido por motivo torpe, porque teria ciúmes da vítima, agindo por vingança por não aceitar que ela continuasse a fazer programas sexuais, bem como por não aceitar que ela pudesse romper o relacionamento e ficar com outra pessoa. Contudo, o réu tenha negado tais circunstâncias em seu depoimento.

O juiz manteve a qualificadora, pois avaliou que as provas testemunhais indicam tal conduta levantada pelo MP e, diante da existência de controvérsia, o juiz determinou que caberá ao Tribunal do Júri decidir. Também para a acusação, o crime teria ocorrido com a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima, pois teria mantido relações sexuais com a vítima visando surpreendê-la, posicionando-se por cima de Mayara e dando-lhe uma cabeçada em seu rosto e segurando-lhe as mãos para golpeá-la por diversas vezes, sem que pudesse esboçar qualquer reação. Todavia, em sua decisão o magistrado afastou esta qualificadora, pois a acusação não trouxe provas desta dinâmica durante a fase de formação da culpa.

Feminicidio

Com relação à terceira qualificadora (feminicídio), a acusação alega que o crime foi praticado num contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Para o juiz, há probabilidade de os fatos terem ocorrido neste contexto, e, assim, manteve a qualificadora que será apreciada pelo Conselho de Sentença por ocasião do julgamento.

O magistrado manteve a prisão preventiva do réu, sob o argumento de que a medida se faz necessária pois ele só foi localizado após a expedição de mandado de prisão assinado pelo juiz.

O caso – Na noite do dia 15 de setembro de 2017, a vítima Mayara Fontoura Hosback foi encontrada morta no interior de sua residência, localizada no Bairro Universitário. A vítima apresentava perfurações na região do pescoço e foi encontrada uma tesoura coberta de sangue sobre a cama.

Em seu interrogatório, o réu relatou que, no dia dos fatos, após ela o ofender, ele partiu pra cima dela, que chegou a mordê-lo na mão e o arranhou, enquanto ele aplicava os golpes no pescoço.

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