Caso Adriano: PRF quer levar julgamento para fora da Capital e MPE mais quebra de sigilo

Lúcio Borges

Reconstituição do crime da morte do empresário aconteceu em 11/01 (Foto: Lúcio Borges)

O caso do assassinato do empresário Adriano Correia do Nascimento, 33 anos, durante uma briga de trânsito, no centro de Campo Grande, com o policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, o Coreia, acusado de cometer o crime em 31 de dezembro de 2016, está se arrastando e  o julgamento pode até não ser realizado em Campo Grande. O PRF tem quatro meses que foi denunciado e acusado pelo MPE (Ministério Publico Estadual), virando réu no processo, mas para evitar júri, talvez até popular, na Capital, a defesa dele tenta levar processo à Justiça Federal, que no caso do município, é abrangida pelo TRF (Tribunal Regional Federal) que fica em São Paulo. Outro fato que vem se arrastando é quanto a veracidade de provas, plantadas ou não, que ‘apareceram’ no carro da vitima, que está fazendo novamente o MPE pedir a quebra de sigilo da perita que atendeu a ocorrência.

O deslocamento do julgamento, foi requerido nesta sexta-feira (12), pelo advogado Renê Siufi, que entrou com pedido de “exceção de suspeição”. Siufi alega que ‘Coreia’ é servidor federal e dentro do que diz sua defesa, ele agiu no exercício da função e que por isso, juízo local não tem competência para julgá-lo. O caso está sob análise do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

O pedido de “exceção de suspeição”, termo jurídico para este tipo de recurso que argumenta que o juízo local não tem competência para julgar o caso, porque o crime teria sido praticado por um PRF no exercício de sua função. Siufi vem alegando que ‘Coreia’ estava a caminho do trabalho, quando se deparou com um flagrante e foi cumprir sua ‘missão’ e servidor público na sua área de Segurança. “Ainda que mesmo que meu cliente, o PRF, não estivesse no trajeto para o trabalho, é dever constitucional do policial a abordagem de pessoas e veículos em atitude suspeita. Moon, vislumbrou que Adriano Correia do Nascimento, estava visivelmente embriagado, cometendo crime de trânsito, portanto, e por isso, ele fez a abordagem que infelizmente resultou na morte do empresário”, justifica Siufi.

Renê Siufi é o último a deixar a sala após depoimentos de ‘Coreia’ em 11 abril

O advogado ainda lembra, como foi feito em depoimento e tem sigilo telefônico, que nesta semana, também foram anexados ao processo, em dados da quebra de sigilo telefônico de Moon. “Na lista de ligações feitas por ele no dia 31 de dezembro, constam quatro chamadas para os números 190 (PM) e 191 (emergência da PRF) entre às 5h45 e 6h07 da manhã. Moon fez ligações de 18 segundos (PRF), 14 minutos (PM), 8 minutos (PRF) e 38 minutos (PRF), respectivamente”, alega Siufi, que apresentou recurso um dia depois do MPE apresentar as alegações finais pedido que Moon vá a júri popular para ser julgado por homicídio, crime considerado hediondo, e duas tentativas de assassinato, contra os passageiros da caminhonete de Adriano, Agnaldo Epinosa da Silva e um adolescente, de 17 anos.

Os registros indicam, porém, que o aparelho foi utilizado até às 12h18, o que significa que o servidor não foi preso logo após atirar e matar o empresário.

MPE pede quebra de sigilo de perita após prova ‘aparecer’ em carro

O MPE pediu a quebra de sigilo telefônico da perita criminal Karina Rébulla Laitart, nesta quinta-feira (11). Em depoimento a perita teria alegado ter desconfiança de que os flambadores encontrados no carro do empresário, no dia 4 de abril, teriam sido plantados. Ela, em depoimento, no dia 11 de abril, afirmou ter várias conversas no aplicativo WhatsApp que podem comprovar seu relato. Segundo ela, logo após a descoberta dos flambadores no veículo do empresário, que estava no IC (Instituto de Criminalística de MS), uma emissora de televisão teria ligado para fazer imagens complementares dos objetos. “Eu não estava de plantão, mas fui até o IC e encontrei os flambadores, se eu não tivesse lá, com certeza os objetos seriam filmados. Acho isso completamente estranho”, disse ela no dia do depoimento.

Adriano Correia do Nascimento foi morto depois de briga no trânsito

Em uma perícia feita no carro no dia 2 de abril, um perito criminal afirmou não ter visto os objetos no veículo. Os maçaricos teriam sido encontrados no dia 4 de abril depois que um colega de trabalho da perita criminal teria questionado o trajeto dos dois primeiros tiros, por meio de um grupo de WhatsApp. A perita responsável teria convidado o colega para ir até a caminhonete e discutir o suposto uso da técnica ‘double tap’, um duplo toque no gatilho, momento em que os flambadores foram encontrados no assoalho do veículo.

Ainda durante depoimento, a servidora disse que o colega de trabalho, um perito criminal que não estava no caso, sempre teve muitas informações, que nem os profissionais que estavam no caso tinham conhecimento. Ele até teria dito que “é amigo pessoal do advogado do acusado”, disse.

O colega da servidora teria relatado que assim que a perita responsável visualizou os flambadores retirou os objetos, com as próprias mãos, do veículo e foi até a Coordenadoria Geral de Perícias.  Ele chegou a dizer que o achado foi ‘abafado’ pela direção do IC, por cerca de um mês. Segundo ele a diretora e o adjunto proibiram que o achado dos flambadores fosse colocado no laudo, mas por orientação do delegado-geral Marcelo Vargas, o procedimento teve continuidade.

Adriano Correia do Nascimento (Foto: Reprodução/ Facebook)

Breve resumo caso 

O Página Brazil, que vem acompanhando o caso desde inicio, tem diversas matérias divulgadas, que podem ser conferidas. Mas, faremos um breve relato dos acontecimentos.

Adriano Correia do Nascimento, que era dono de restaurantes de comida japonesa na Capital, conduzia uma Toyota Hilux quando foi morto na madrugada de 31 de dezembro do ano passado, um sábado, na avenida Ernesto Geisel. O PRF foi preso em 31 de dezembro e solto no dia seguinte. No dia 5 de janeiro, voltou a ser preso e deixou a prisão no dia primeiro de fevereiro.

Na versão do policial, que era lotado em Corumbá e seguia em um Mitsubishi Pajero para a rodoviária, o condutor da Hilux provocou suspeita pela forma que dirigia e ele fez a abordagem após ter sido fechado.

Nos depoimentos, ele reforçou que sempre se identificou como PRF e disse que avistou um objeto escuro no veículo do comerciante. Já testemunha confirmaram que não perceberam que o homem armado na Ernesto Geisel era um policial.

Ricardo Moon, de 47 anos, foi denunciado por homicídio doloso contra Adriano e tentativa de homicídio contra Agnaldo Espinosa da Silva e o enteado de 17 anos, passageiros da caminhonete.

A denúncia do MPE (Ministério Público do Estado) chegou dia 23 de janeiro à 1ª Vara do Tribunal do Júri .

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