Caso Adriano: PRF que matou empresário tem julgamento marcado para acontecer em um mês

Lúcio Borges

Ricardo Moon durante reprodução simulada do assassinato de Adriano

O julgamento do policial rodoviário federal Ricardo Hyn Su Moon, teve anunciado nesta sexta-feira (8), para o próximo mês, a data marcada para o Juri Popular a que será submetido. O Página Brazil, há dez dias, noticiou que o juiz do caso havia determinado que a Justiça em Campo Grande marcasse oficialmente o Juri, mas que como a agenda do Judiciário estaria completa em março, deixou sem dia certo, porém que fosse o ‘quanto antes’ incluído entre os próximos do mês ou meses seguintes. Assim, Moon terá seu julgamento em 11 de abril, após dois anos e quatro meses, do crime de assassinato do jovem empresário Adriano Correia Nascimento.

A acusação, com até uma pré-confissão de Moon, aponta inicio do crime após desentendimento no trânsito entre o acusado e a vitima, no dia 31 de dezembro de 2016. O juiz titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Carlos Alberto Garcete de Almeida, determinou que o policial fosse a julgamento por homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. As mesmas qualificadoras foram apontadas para a tentativa de homicídio contra Agnaldo Espinosa da Silva e seu filho, 17, dois ocupantes da caminhonete conduzida pelo comerciante.

A sessão de julgamento está prevista para começar às 8 horas na 1ª Vara do TJ, no Fórum da Capital ante os mais de dois anos do crime e que Ricardo Sun Moon virou a réu a mais de um ano, em novembro de 2017, pelo acontecimento no fim da madrugada de 31 de dezembro de 2016. Moon, alegou que quando se envolveu em uma confusão no trânsito, valendo-se de uma legitima defesa de autoridade policial, atirou contra Adriano, por suposto avanço de automóvel contra ele. Bem como, no ato contra o empresário, ainda também mirou ou atingiu outras duas pessoas que estavam com ele no carro, Agnaldo Espinosa da Silva e o enteado de 17 anos.

Situação no local na hora ou após o crime (Foto: Lúcio Borges)

Detalhes do caso

O empresário morreu na hora, por volta de 5h30, daquele dia véspera de virada do ano, quando voltava de uma comemoração de aniversário. Moon alegou legítima defesa, versão que não prosperou nem no inquérito da Polícia Civil, nem na análise e peça acusatória do MPE-MS (Ministério Público Estadual). Consta dos autos do processo que naquela hora, Ricardo se deslocava para trabalho no município de Corumbá, conduzindo o veículo Pajero TR4, enquanto a vítima dirigia a camionete Toyota Hilux, acompanhada das vítimas.

Conforme a denúncia, ao fazer conversão à direita, Adriano não percebeu a proximidade com o veículo do acusado e quase provocou um acidente de trânsito. Após uma suposta briga de trânsito, ele fez pelo menos sete tiros contra a Hilux branca do empresário, que era dono de dois restaurantes japoneses na cidade. Ele foi atingido três vezes, duas no peito e uma no pescoço. Morreu na hora, perdeu o controle do veículo e bateu em um poste.

O policial ficou no local do crime e chegou até a discutir com uma das vítimas, mas não foi preso na ocasião, mesmo havendo policiais militares no local. Entre este detalhe anterior, o caso já teve diversas ‘paradas’ ante recursos da defesa, que protelava encaminhamentos, como Moon requereu que julgamento fosse retirado da Justiça Estadual, alegando foro para Justiça Federal, por ser agente de segurança nacional. Ele perdeu pedido, mas conseguiu mais tempo para demorar chegar ao Juri Popular. O modo de julgamento também foi contestado pela defesa, pois alegaram demasiada determinação e que pesaria na condução de julgamento.

Uma reconstituição com todos os envolvidos e também testemunhas foi realizado no dia 11 de janeiro de 2017. Na data, Moon estava preso em virtude a um mandado de prisão preventiva, mas no dia 1º de fevereiro, ele ganhou a liberdade.

O processo judicial teve duas audiências realizadas e Moon ouvido. Em depoimento ele mantém a versão de que seria atropelado e só por isso atirou no empresário. O policial também afirma que se apresentou como policial e que estava com a ‘vestimenta sereia’, ou seja, metade fardado e metade à paisana, é um procedimento de praxe na corporação.

Adriano Correia do Nascimento (Foto: Reprodução/ Facebook)

Erros quase anulam provas

Uma suposta invasão do prédio da Coordenadoria Geral de Perícias e falsificação de provas também são investigadas no processo da morte de Adriano. O achado de dois maçaricos, parecidos com armas de fogo, dentro da caminhonete Toyota Hilux do empresário, dias depois da perícia feita no veículo, levantou as suspeitas e resultou em nova investigação.

A justiça chegou a pedir a quebra de sigilo telefônico da perita responsável pelo caso para esclarecer os fatos.

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