Caso Adriano: ‘plantaram provas’ no carro de empresário morto por PRF, apontam investigações

Lúcio Borges

Ricardo Moon durante reprodução simulada do assassinato de Adriano (Foto: Lúcio Borges)

O desdobramento de uma denuncia que poderia ou pode atrapalhar o julgamento do PRF (policial rodoviário federal), Ricardo Hyun Su Moon, deve ser confirmado com as investigações apontando que ‘plantaram provas’ no carro do empresário Adriano do Nascimento Corrêa, assassinado pelo PRF no dia  dia 31 de dezembro de 2106, após uma briga de trânsito no centro de Campo Grande. Após a pericia oficial, dois flambadores foram encontradas no veículo do crime, a caminhonete do jovem de 33 anos, que ocasionou uma primeira denúncia sobre erro da perita Karina Rébulla Laitart, do IC-MS (Instituto de Criminalística de Mato Grosso do Sul), que fez os laudos pericial. Contudo, a profissional contrapôs ou fez uma contra-denuncia, apontando que seu colega, que fez a acusação, seria amigo dos advogados do PRF e que teria sido o responsável pela “aparição do material extra”.

Com tudo isto, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil apura o caso, onde abriu outro processo -administrativo- que ainda não foi encerrado, mas já é apontado pelo delegado Sérgio Luiz Duarte, responsável de investigação, que “não há dúvidas de que as provas foram plantadas”. A perita Karina teve no último dia 3, determinado pela Justiça, que seu sigilo telefônico fosse quebrado para apurar a questão da prova ‘aparecida’, onde ela em depoimento ratificou sua acusação e que teria provas, como mensagens eletrônicas, que poderiam comprovar conversas que teve com o colega acusador, que pode ter feito mais uma questão, em mais um ato que poderia ou pode complicar o processo que corre no TJ-MS (Tribunal de Justiça de MS) contra Moon, que já é réu, e está no meio do processo para ir a julgamento final.

Assim, foi expedido mandado de busca e apreensão do aparelho e chip da servidora pública, em investigação posterior ao processo do PRF Moon que já está em andamento, mas que pode ser paralisado, com já feito pela defesa dele para tentar tirar o julgamento de Campo Grande. Contudo, Moon perdeu o pedido no mês passado, quando o TJ negou a ação requerida e o PRF será julgado na esfera estadual , como o Página Brazil noticiou e acompanha todos os encaminhamentos, como agora desta ação das denuncias dentro do IC-MS.

Delegado Duarte (Foto: Wanderson Lara)

O delegado Sérgio Luiz Duarte, responsável pelo inquérito de fraude processual, que apura a aparição dos flambadores na caminhonete, dias após a perícia, comenta que todos os indícios levantados até agora, desde fotos do dia do crime, da perícia, depoimentos de autoridades envolvidas no caso e também da equipe de perícia, comprovam à tese da ‘plantação’ dos produtos. “Os maçaricos e duas garrafas de bebidas, já guardadas anteriormente a data do homicídio no veículo, passaram por perícia, mas nenhuma digital foi encontrada, justamente por conta do material dos objetos, um plástico poroso. Não temos dúvida de que os flambadores foram plantados na caminhonete. Porém o trabalho agora é para identificar o autor do crime”, afirmou o delegado.

O inquérito ainda não foi concluído e diligências para esclarecer a autoria ainda serão feitas pelas equipes. Segundo Duarte, o pedido de quebra de sigilo telefônico da responsável pela perícia da Hilux também será usado na investigação realizada pela Corregedoria. “O crime é grave e ainda desvia o foco do objetivo principal, que é a conduta, é elucidar o que aconteceu naquele dia trágico”, defende Duarte.

Caso a caso – o que ocorreu e pode ocorrer

O autor do crime responderá por fraude processual, que possui pena de 6 meses a 4 anos de detenção. “Estamos trabalhando com todas as hipóteses. Se o autor for servidor, pelo crime ter acontecido dentro do pátio do IC (Instituto de Criminalística Hercílio Macellaro), ele também responderá a um processo administrativo”, apontou o delegado.

Carro em frente a delegacia no dia do crime

O flambadores teriam aparecido na caminhonete no dia 4 de janeiro. Antes disso, foram feitas duas vistorias no dia do crime e uma mais detalhada, quando até os bancos foram retirados, no dia 2 de janeiro, mas não foram localizados quaisquer vestígios dos objetos dentro do veículo. No dia 4, um dos peritos do IC questionou o trabalho da profissional responsável pelo caso por um grupo de WhatsApp. A perita então teria convidado o colega de trabalho para ir até a Hilux e discutir o suposto uso da técnica ‘double tap’, um duplo toque no gatilho, mas ao abrirem a porta dianteira do passageiro, “visualizaram de forma escancarada” os maçaricos.

O caso foi denunciado à corregedoria e todos os envolvidos foram ouvidos. Na segunda audiência sobre a morte de Adriano, que aconteceu em abril, a perita Karina reforçou que os flambadores só foram encontrados depois que o colega colocou a perícia em prova. Em depoimento, a perita alegou que o colega sempre teve muitas informações que nem os profissionais que estavam no caso tinham conhecimento e que ele até teria dito que “é amigo pessoal do advogado do acusado”, o Renê Siufi. Ela ainda afirmou que tinha como provar as informações graças as conversas no aplicativo de mensagens.

Quebra de sigilos – feita e a fazer

Foi para esclarecer o achado de dois flambadores, que o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, autorizou a quebra do sigilo telefônico da responsável pela perícia da caminhonete. Ela então entregou o celular e o chip, que foram enviados a perícia.

No último dia 12 de julho, se dizendo indignado com a acusação da perita, que deu a entender que a ordem para implantar as provas partiu a defesa do policial, o advogado Renê Siufi enviou o pedido ao juiz para que as conversas extraídas da quebra do sigilo telefônico sejam confrontadas com as mensagens do aparelho do perito que supostamente seria seu amigo, através de cópia do conteúdo.

O pedido foi aceito nesta segunda-feira (17). Garcete então determinou que o perito que questionou o trabalho feito no veículo entregasse o aparelho celular e o chip “imediatamente ao instituto de criminalística”. Ele ainda determinou que o resultado da perícia seja entregue em 10 dias.

Adriano Correia do Nascimento (Foto: Reprodução/ Facebook)
Cena final do crime em dezembro 2016 (Foto: Lúcio Borges)

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