Caso Adriano: Perita tem sigilo quebrado para apurar prova ‘aparecida’ em carro do crime

Lúcio Borges

Ricardo Moon durante reprodução simulada do assassinato de Adriano

A perita Karina Rébulla Laitart, do IC-MS (Instituto de Criminalística de Mato Grosso do Sul) teve nesta segunda-feira (3), determinado pela Justiça, que seu sigilo telefônico seja quebrado para apurar a questão da prova ‘aparecida’ no carro do crime, que levou a morte do empresário Adriano do Nascimento Corrêa, 33 anos. A questão é mais um ato que poderia ou pode complicar o processo que corre no TJ-MS (Tribunal de Justiça de MS) contra, o agora réu, o policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, que cometeu o assassinato do jovem no dia 31 de dezembro de 2106, após uma briga de trânsito no centro de Campo Grande.  Foi expedido mandado de busca e apreensão do aparelho e chip da servidora pública, em investigação posterior ao processo que já está em andamento, mas que pode ser paralisado, com já feito pela defesa do PRF para tentar tirar o julgamento de Campo Grande. Contudo, Moon perdeu o pedido há dez dias, quando o TJ negou a ação requerida e o PRF será julgado na esfera estadual.

O juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, autorizou ontem, a quebra do sigilo telefônico de Karina, que foi a responsável pela perícia da caminhonete do empresário, para esclarecer se foi ‘plantado ou não’, objetos no veículo. Dois flambadores foram descobertos ou relatados, após a entrega da então primeira pericia, e, houve denuncia extra-oficial, que colocaria em ‘xeque’ toda a perícia feita no caso. A decisão do juiz partiu de um pedido do MPE (Ministério Público Estadual), feito há quase dois meses, no mês de maio. Para Garcete, a quebra do sigilo de mensagens do WhatsApp é essencial para esclarecer o aparecimento dos flambadores e para comprovar, ou não, acusações feitas pela própria perita, responsável pelo caso, a um colega do Instituto de Criminalística.

Carro de Adriano que foi levado a delegacia logo após o crime

Karina, apontou na segunda audiência na ação já na Justiça, que aconteceu em abril, que os flambadores só foram encontrados depois que o colega colocou a perícia em prova. “Foram feitas duas vistorias no dia do crime e uma mais detalhada, quando até os bancos foram retirados, no dia 2 de janeiro, mas não foram localizados quaisquer vestígios dos objetos dentro da caminhonete antes do dia 4”, disse a perita. Contudo, neste nesta data 4, o outro colega perito questionou sobre o trajeto dois dos tiros, por um grupo de WhatsApp. Assim, a perita responsável, então, teria convidado o colega de trabalho para ir até a caminhonete e discutir o suposto uso da técnica ‘double tap’, um duplo toque no gatilho e ao abrirem a porta dianteira do passageiro, “visualizaram de forma escancarada” os flambadores.

Em depoimento, a perita também acusou ou fez novas revelações, alegando que o colega sempre teve muitas informações que nem os profissionais que estavam no caso tinham conhecimento e que ele até teria dito que “é amigo pessoal do advogado do acusado”, o Renê Siufi. Em juízo a perita ainda afirmou que tinha como provar as informações graças as conversas no aplicativo de mensagens.

Decisões com camionete ainda retida

Um mandado de busca e apreensão do celular e do chip da perita já foi expedido e segundo o juiz o material deve ser enviado com urgência para Instituto de Criminalística. O laudo, também a pedido de Garcete, deve ficar pronto em 10 dias.

Dia do crime. (Foto: Lúcio Borges)

Na mesma decisão ou na mesma divulgação, o magistrado analisou e negou um pedido da família. Garcete, além da autorização da quebra de sigilo telefônico, negou o pedido de restituição da caminhonete Hilux feito pela família de Adriano. Na decisão, Garcete explicou que ainda existem muitas dúvidas sobre a perícia feita e por isso achava necessário manter o veículo da maneira em que foi apreendido.

“Oportuno dizer que há grande divergência nos autos acerca da dinâmica, da sequência dos disparos e de como os projéteis alvejaram o veículo da vítima – como pode ser facilmente observado pela oitiva das indagações das partes a todas as pessoas que prestaram declarações em Juízo, pelo que entendo que, até o julgamento, o automóvel deve ser mantido no estado em que se encontra, pois é possível que surja, eventualmente, a necessidade de diligências complementares, notadamente perícia complementar”, descreve decisão do juizado.

O caso que quase saiu da Capital

Moon, que é acusado dos delitos de homicídio e duas tentativa de homicídio, tem seis meses que foi denunciado e acusado pelo MPE (Ministério Publico Estadual), virando réu no processo. Mas, para evitar júri, talvez até popular, na Capital, a defesa dele tentou levar processo à Justiça Federal, que no caso do município, é abrangida pelo TRF (Tribunal Regional Federal) que fica em São Paulo. O pedido pela defesa era alegando que o processo deveria tramitar na instancia superior ante a Estadual, porque Coreia é servidor publico Federal e assim deveria somente ser julgado pela vara federal.

O caso pode ser pesquisado no Página Brazil que vem acompanhando e fazendo as reportagens a cada movimento do acontecimento e posteriores ações policial e judicial. O PRF tem já quase seis meses que foi denunciado e acusado pelo MPE (Ministério Publico Estadual), virando réu no processo, onde como noticiamos, uma testemunha ocular foi chave para a acusação de homicido doloso.

Ricardo Sun Moon passou de policial a réu no final do mês de janeiro, após todo o contexto da madrugada do dia 31 dezembro, quando se envolveu em uma confusão no trânsito, e atirou contra Adriano e as outras duas pessoas que estavam com ele no carro, Agnaldo Espinosa da Silva e o enteado de 17 anos.

Adriano Correia do Nascimento (Foto: Reprodução/ Facebook)

O empresário morreu na hora. Moon alegou legítima defesa, versão que não prosperou nem no inquérito da Polícia Civil nem na análise do Ministério Público Estadual. Adriano Correia do Nascimento, que era dono de restaurantes de comida japonesa na Capital, conduzia uma Toyota Hilux quando foi morto naquela madrugada, na Avenida Ernesto Geisel. O PRF foi preso em 31 de dezembro e solto no dia seguinte. No dia 5 de janeiro, voltou a ser preso e deixou a prisão no dia 1º de fevereiro.

O caso ainda é marcado pela batalha judicial para decidir qual esfera deve julgar o caso do PRF. O processo chegou a ficar 21 dias suspenso, até o os desembargadores da 3ª Câmara Criminal negarem o pedido de habeas corpus da defesa do policial para transferir a ação do homicídio à Justiça Federal.

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