Casa estreia hoje ‘A Vida é Sonho’ em espetáculo planejado por oito meses

Lúcio Borges

Fotos: Karol Resquim / Divulgação Gr. Casa

O Grupo Casa, que surgiu há cinco anos e desde então vem propondo manifestações artísticas de forma diferenciada e profunda em Campo Grande, promoverá mais uma ‘arte’ a partir desta sexta-feira (13). Iniciando hoje, o Grupo promove o espetáculo “A Vida é Sonho”, que contará com a apresentações em três dias da semana durante quase dois meses, entre julho e agosto. O teatro preparado promete ser uma linda surpresa para o público. Veja abaixo, um resumo da sinopse da peça, que está há oito meses em montagem ou em todo processo de planejamento e execução até sua estreia nesta noite, que contará com um custo de ingresso, quase que simbólico.

A atriz e diretora Ligia Prieto, conta parte do processo revelando uma novidade, onde ‘a casa’ vem sendo ‘formatada’ desde novembro do ano passado para apresentar a montagem, e, transformou-se em um teatro com um palco em 360 graus. “O formato vai possibilitar uma experiência especial ao público. Como em todos os trabalhos, todos os membros do grupo executam todo o processo da montagem. “Para mim, só se faz teatro assim. Com todos entendendo como se faz o todo. Buscamos a compreensão funcional. O Grupo Casa é uma escolha de vida”, comenta a profissional.

Lígia, que junto à Fernando Lima dirigem o espetáculo, conta ainda que tem como grande inspirações os grupos “Théâtre du Soleil” e o “Grupo Galpão”. Ela lembra que este projeto foi contemplado no edital FOMTEATRO da Prefeitura Municipal de Campo Grande, apresentando o diferencial, que a partir do momento em que todos são capazes de participar de todas as etapas do processo, todos falam a mesma língua. “Não é cumprir uma função. É uma existência de forma plena e faz a gente viver isso, ser capaz de se representar e representar o grupo. E isso faz com que seja visível a nossa ligação em cena”, declara Lígia.

Fotos: Karol Resquim / Divulgação Gr. Casa

Espetáculo – A Vida é Sonho

Sonho e ficção. Realidade e desilusão. Farsas e mentiras. Representantes individuais de dramas universais. O Barroco no caótico mundo do humano. Rosaura, mulher desonrada, cuspida, maltratada, clama por vingança. O rei tem um escravo, seu nome é Clotaldo.

Segismundo, é filho do rei Basílio, um príncipe que vive num ergástulo. Presas aprisionadas numa colagem sobreposta. Um plágio combinação. Uma insolente reprodução do contemporâneo atravessado pela ficção diária, inventada, acorrentada na fé. Uma pulsão de morte e vida, de amor e desejo, de traição e delito.

Personagens cravados por Calderón de La Barca, abençoados por Padre Antônio Vieira, sacramentados por Saramago, perdoados por Castro Alves, queimados por Clarice Lispector, aprisionados por Platão, dilacerados por Fernando Pessoa. Se a vida é sonho, sonhemos alma, sonhemos mais. Um banquete. Um Clarim da liberdade. Sons de corrente.

Você terá a oportunidade de sentir toda essa energia nas apresentações que acontecem à partir deste dia 13 de Julho até o dia 25 de agosto, sempre de quinta-feira a sábado, na sede do grupo, localizada na Travessa Tabelião Nelson Pereira Seba, nº 8, Chácara Cachoeira.

Serviço: Os ingressos custarão R$ 10. Mais informações pelo telefone 3326-0222. Para reservar os ingressos, acesse: https://www.teatrogrupocasa.com.br/a-vida-e-sonho

Foto: Divulgação Grupo Casa

A CASA

Conforme divulgação do Grupo, a definição do ‘centro cultural’ pode ser como cada um tem uma visão de sua estrutura e dia-a-dia. Uma casa? Uma escola? Um teatro? Nenhuma das opções, ou todas elas juntas.

O Grupo Casa surgiu há cinco anos e desde então vem propondo manifestações artísticas de forma diferenciada e profunda em Campo Grande. O nascimento do grupo se deu com a ocupação da residência de Nildes Tristão Prieto. Nildes, uma poeta, transformou a sua casa na Casa da Poesia Dra. Alda Garcia. Logo após, Nildes, mãe de Ligia Prieto uma das fundadoras do grupo, falece de leucemia. Ligia ao lado de seu esposo Fernando Lima, retornam a Campo Grande e fundam na Casa da Poesia a Casa de Cultura Nildes Tristão Prieto.

Desde então, a luta foi grande e cheia de nuances, mas com um objetivo que vem se consolidando cada dia mais o “viver teatro”. Hoje, a sede do grupo, que foi a base para esse sonho, é também casa de alguns dos membros e se tornou escola. Com cerca de 100 alunos, o espaço traz a oportunidade de sentir e respirar arte, em um ambiente que faz da viva alquimia e da paixão pelo teatro, um lugar com aroma de amor.

Com um dia a dia alucinante, os membros que outrora foram alunos, se dividem nas mais diversas funções, desde dar aulas, compor figurinos, divulgar peças, alimentar os cãezinhos da casa, até comprar produtos de limpeza e ajudar na reforma do espaço. É tudo um

Foto: Karol Resquim / Divulgação Gr. Casa

turbilhão, que no final dá muito certo.

E o espaço? É tanta coisa acontecendo que só mesmo sendo um grupo de teatro, para dar conta. “Esse é um espaço que temos e tomamos como nosso. É uma resistência, vira nossa história e tem um pouco de nós em cada parede. Temos a liberdade de fazer o que a gente acredita que realmente importa!”, afirma Ligia.

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