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sábado, 16 de novembro de 2019
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Carlos Bolsonaro usa Twitter do pai para pressionar STF e depois apaga

Agência O Globo/JP

O vereador Carlos Bolsonaro, durante a sessão na Câmara de Vereadores do Rio Foto: Márcio Alves/Agência O Globo/
O vereador Carlos Bolsonaro, durante a sessão na Câmara de Vereadores do Rio (Foto: Márcio Alves/Agência O Globo)

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) utilizou nesta quinta-feia a conta no Twitter do seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, para publicar uma mensagem defendendo a execução de pena após condenação em segunda instância, horas antes da sessão marcada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para analisar o tema, mas depois apagou a publicação.

Em mensagem publicada em sua própria conta, Carlos afirmou que publicou “sem autorização do Presidente” e pediu desculpas. O vereador disse que não teve intenção de “atacar” ninguém e afirmou que queria “expor o que acontece na Casa Legislativa”.

“Eu escrevi o tweet sobre segunda instância sem autorização do Presidente.  Me desculpem a todos! A intenção jamais foi atacar ninguém! Apenas expor o que acontece na Casa Legislativa!”, escreveu.

A mensagem publicada na conta de Bolsonaro dizia que ele sempre deixou claro que era favorável à prisão em segunda instância e destacava que há uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema sendo discutida na Câmara dos Deputados, relatada pela deputada federal Caroline De Toni (PSL-SC).

Reprodução

Questionada sobre quem fez a publicação na conta do presidente, por que ela foi apagada e se Carlos teve participação no episódio, a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto disse que não irá comentar.

Carlos foi responsável por idealizar a estratégia digital de Bolsonaro, ainda na pré-campanha, fato que já fez o presidente atribuir sua vitória na eleição ao filho. Em novembro do ano passado, contudo, anunciou que não tinha mais “qualquer ascensão às redes sociais” do pai. Apesar das suspeitas de que ele continuava a utilizar as redes, o governo nunca confirmou isso.

Em março, ao ser perguntado sobre se outras pessoas publicavam na conta de Bolsonaro, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, limitou-se a dizer que o presidente era responsável por tudo que fosse publicado.

— O Twitter é de Jair Messias Bolsonaro, então, naturalmente, Jair Messias Bolsonaro é responsável por aquilo que é publicado — disse Rêgo Barros.

Desde 2016, os ministros do STF entendem que os condenados em segunda instância, ainda que possam recorrer da decisão que os levou à prisão, podem começar a cumprir pena. Uma mudança nesse entendimento pode ter impacto em diversos processos judiciais, inclusive o que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão no ano passado.

Na quarta-feira, ex-comandante do Exército e assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general da reserva Eduardo Villas Bôas, escreveu no Twitter que o país fez esforços recentes para “combater a corrupção e a impunidade” e que é necessário seguir neste caminho, sob risco de “eventual convulsão social”.

Outro general da reserva, o ex-ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz também comentou no Twitter o julgamento. Santos Cruz afirmou que “democracia se faz com instituições fortes e valorizadas” e que o STF “não pode viver nesse limite perigoso, sem a consideração do povo brasileiro”. “Nesse momento, compete ao STF a sua própria valorização”, escreveu o general, que foi ministro da Secretaria de Governo entre janeiro e junho.

Reunião com ministros 

Na quarta-feira, Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto três ministros do STF. O presidente do tribunal, Dias Toffoli, e Alexandre de Moraes foram juntos e estiveram com Bolsonaro às 10h, por 15 minutos. Depois, participaram de um evento no Salão Nobre. Já o ministro Gilmar Mendes teve um encontro reservado com ele, das 11h às 11h25.

As audiências não constavam na agenda do presidente até as 16h49. No início da noite, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, informou a jornalistas que o presidente “não comentará” estas agendas.

Gilmar disse que a reunião com Bolsonaro foi apenas uma visita de cortesia. Negou que tenham conversado sobre segunda instância ou sobre a situação do PSL, partido ao qual o presidente é filiado, mas com o qual está tendo desentendimentos. O ministro foi vago sobre os assuntos tratados.

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