Cardozo chora após defesa e critica acusação ter citado netos de Dilma

O ex-ministro José Eduardo Cardozo, advogado de defesa da presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment, chorou ao dar entrevista a jornalistas depois de fazer a defesa da petista no Senado.

Ministro chora durante a entrevista (Foto: Divulgação)
Ministro chora durante a entrevista (Foto: Divulgação)

Ele criticou a fala da advogada da acusação Janaína Paschoal e afirmou ser muito “injusto” ela afirmar que condena Dilma pensando nos netos da presidente afastada.

“Foi um choro sincero e não preparado. Eu acho inadmissível alguém pedir a condenação e dizer que o faz pelos netos dessa pessoa”, afirmou Cardozo ao deixar o plenário abraçado a senadores petistas.

No final do discurso da defesa, Cardozo afirmou que espera, a exemplo do que ocorreu com os anistiados, se a presidente for condenada, algum ministro da Justiça peça desculpas a ela ou a sua família no futuro.

“Peço a Deus que, se Dilma for condenada, um novo ministro da Justiça tenha a dignidade de pedir desculpas a ela; se viva, a ela; se morta, a sua filha e netos. Que a história absolva Dilma Rousseff, se vossas excelências quiserem condená-la.”

Na fala da acusação, Janaína Paschoal, que também chorou ao fim do discurso, chamou o impeachment de “remédio constitucional”. Ela pediu desculpas à presidente afastada citando os netos de Dilma.

“Eu peço desculpas porque eu sei que a situação que ela está vivendo não é fácil. Eu peço desculpas porque eu sei que, muito embora esse não fosse o meu objetivo, eu lhe causei sofrimento. E eu peço que ela um dia entenda que eu fiz isso pensando também nos netos dela.”

Votos

Sobre o discurso de Dilma na véspera, Cardozo afirmou que não sabe se ela reverteu algum voto no Senado, mas que deveria. “As provas são claras e reforçou tudo aquilo que já se dizia no processo. Só não quer ver isto os que por alguma razão querem afastá-la”, afirmou o ex-ministro.

Ele disse ainda que os advogados de acusação fizeram uma condenação política sem nenhuma razão e voltou a se emocionar ao ser questionado se teria convencido algum senador com sua apresentação de defesa. “É injusto certas coisas. A injustiça dói quando é contra a gente ou quando se materializa em pessoas que você conhece”, disse Cardozo. (G1)

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