‘Capoeira Angola’ encerra projeto neste fim de semana com três dias de evento

Lúcio Borges

O projeto “Capoeira Angola: Berimbau Chamou”, que foi lançado em março, em Campo Grande, terá um final da primeira parte neste fim de semana. A ação programou um evento de três dias, como encerramento de parte das ações da iniciativa que ocorreu por quase dois meses. Nesta sexta-feira (27) até próximo domingo, acontecem atividades em alguns lugares da Capital, entre apresentações de grupos, cursos/oficinas da arte e festividades aos participantes. Veja abaixo, a programação com as atividades e horários / locais, que hoje, primeiro dia, acontece somente na parte da noite e outros dois dias durante todo dia. O evento contará também com participações de profissionais de nível nacional.

A programação é aberta ao público e gratuita como na roda de capoeira na praça Ary Coelho, a partir das 18 horas de hoje. Amanhã, à partir das 8 hioas, será na associação de moradores da Vila Margarida, onde haverá oficinas que se estendem durante todo o dia, terminando com uma roda de capoeira no fim da tarde. No domingo, às 9h no Parque das Nações Indígenas, tem a “Papoeira”, roda de conversa com os mestres sobre a capoeira até o encerramento com confraternização.

“Capoeira Angola: Berimbau Chamou” é um projeto que o professor Marcos Vinícius Campelo, 37 anos, idealizou há bastante tempo, que começou ‘pequeno’, mas foi evoluindo e conseguiu um apoio para se ampliar. “Sempre fizemos encontros menores, colaborativos com quem participava. Agora que conseguimos mais recursos tomou um corpo maior, até com pessoas trazidas de fora do Estado”, conta o idealizador que lembra ainda, que o projeto agora conta com recurso do FMIC (Fundo Municipal de Investimentos Culturais), oriundos da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

Campelo fala do ‘pessoal de fora’ para este ‘evento final’, que foram convidados para ministrar as oficinas deste dois dias. “Estarão aqui, o mestre Renê, de Salvador; mestre Leninho, de Brasília; mestre Pequeno, de Campo Grande; contramestre Carlos, de Curitiba; treinel Paula, de Curitiba; e professor Rafael, de Goiás. Mas, além dos convidados de outros Estados, sempre estendemos o convite a capoeiristas do interior, da Capital e qualquer pessoa que tenha interesse de conhecer. Acreditamos que este intercâmbio enriquece a diversidade cultural, de pensamento, tanto em relação à capoeira quanto às pessoas”, afirmou.

Foto: Maria Fernanda Arnaldi

Primeira fase do projeto

Desde o início de março o “Capoeira Angola: Berimbau Chamou” levou a Escola Estadual Hércules Maymone oficinas de musicalização com instrumentos da Capoeira Angola, movimentação e história afro-brasileira, atendendo o cumprimento da Lei Federal 10.639/2003 que determina o estudo da África e cultura dos povos afro-brasileiros nas escolas de educação básica.

Campelo é quem as ministra e acredita ser importante levar a capoeira para a escola, pois é uma forma dos estudantes conhecerem seu passado. “Existe uma forma de educar os alunos através da capoeira, já que ela é uma herança ancestral africana. As oficinas se tornam uma ferramenta de mudança social, ensinam respeito ao próximo, à história de matriz africana e a ter responsabilidade com sua identidade cultural”, reflete. “Além de fazer bem para a mente e para o corpo”, completa.

Programação:

27/04

18h – Roda de Abertura – Local: Praça Ary Coelho  – Av. Afonso Pena s/n.

28/04

08h- 11h e 13h-16h – Oficinas com Mestre Renê (BA), Mestre Leninho (DF), Mestre Pequeno (MS), Contra-mestre Carlos Ferraz (PE/PR), Treinel Paula Back (PR), Professor Rafael (GO)

18h – Roda de Capoeira Angola – Local: Associação de Moradores da Vila Margarida, Rua Naviraí, 692 – Vila Margarida.

29/04

09h – Roda de Encerramento – Almoço – Confraternização.

Local: Parque das Nações Indígenas  / Entrada pista de skate, Rua Antônio Maria Coelho.

Foto : Maria Fernanda Arnaldi

A Capoeira Angola

A Capoeira Angola é uma expressão da tradição afro-brasileira calcada em exercícios de (con)vivência grupal. Sua prática representa a conjugação de diferentes manifestações culturais que incluem a dança, a música, a dramatização, a brincadeira, o jogo e a espiritualidade. Em seu ritual, todos participam e cada um é fundamental e único. Sua música é cadenciada, orgânica e ritualizada.

É uma manifestação da cultura popular brasileira onde coexistem aspectos normalmente compreendidos de forma segmentada pela cultura que se fez oficial, como o jogo, a dança, a luta e a ancestralidade, unidos de forma coesa, simples e sintética. Possui suas origens em elementos da cultura de várias matizes de povos africano no Brasil no século XVI até o final do século XIX, sincretizados com elementos de culturas nativas (povos indígenas) e de origem europeia.

Marcos teve seu primeiro contato com a capoeira há cerca de 15 anos, quando morava em sua cidade natal, Goiás Velho. “Lá tem uma roda muito tradicional no Centro Histórico e desde jovem sempre assistia, até que um dia conversei com o mestre Chuluca, e pedi para ser seu aluno e ele me aceitou. O que me chamava muita atenção era a musicalização e harmonia nos jogos de corpos, foi por isso que comecei a gostar”, lembra. Ele vive em Mato Grosso do Sul há 9 anos e dá aulas desde que chegou.

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