Capital tem ‘Lago do Amor’ com 25 jacarés de duas espécies

Lúcio Borges

O ‘Lago do Amor’, em área até próxima do centro de Campo Grande, na Vila Ipiranga, conjunto da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), por incrível que posa parecer a ‘olho nú’ , está contando com 25 jacarés de duas espécies. O local que é até um ‘ponto turístico’ da Capital, reduto de passeio casual dos moradores da região, sempre atraiu pela lagoa e seus animais ao redor, como aves, e principalmente dentro dele, com o jacaré que era visto. Contudo, em geral são poucos os aparecidos ou próximos da população, mas que agora se sabe que existe toda esta quantia, conforme aponta levantamento de pesquisadores da instituição.

O trabalho de equipe da UFMS aponta, pela primeira vez, uma estimativa sobre a população dos famosos jacarés que vivem no Lago – que faz parte da reserva natural da Cidade Universitária. Conforme o estudo, divulgado nesta terça-feira (11), são 25 animais de duas espécies ante que se pensava, que apenas uma espécie deveria morar no local.

De acordo com informações da UFMS, a pesquisa “Dinâmica populacional de jacarés (Crocodylia, Alligatoridae) e suas interações parasitárias em área urbana”, apontou a existência de duas espécies no local: Caiman latirostris, o jacaré-de-papo-amarelo e o Caiman yacare, o jacaré do Pantanal. Possível hibridismo das espécies também está sendo investigado por pesquisadores e pós-graduandos do Inbio (Instituto de Biociências).

Existem vários ambientes dentro da cidade que são impactados, alterados, mas mesmo assim há uma fauna que ainda consegue conviver amistosamente nesses ambientes, caso das capivaras e dos jacarés. No começo, achávamos que havia apenas indivíduos da espécie C. latirostris no Lago do Amor, mas fomos surpreendidos com o yacare, muito comum no Pantanal”, afirma a professora Vanda Lúcia Ferreira, que coordena a pesquisa, em parceria com o professor Fernando Paiva em publicação na página da UFMS.

Levantamentos

Segundo o estudo, em um período de oito meses entre 2016/2017, foram capturados sete animais para controle e marcação com brinco de numeração, sendo três filhotes e quatro adultos. Entre os animais capturados, os machos apresentaram comprimento total de 60 cm a 2,15 m e as fêmeas de 63 cm a 1,68 m. Os animais foram pesados, sendo um dos exemplares superior a 50 quilos.

Os pesquisadores também estão analisando os parasitas de sangue. Segundo a professora Vanda, quanto maior a variedade de parasitos tiver o animal, mais saudável ele estará.

Em uma segunda proposta de investigação, os pesquisadores querem descobrir mais detalhes dos hábitos dos animais: do que estão se alimentando entre anfíbios, répteis e pequenos mamíferos, como capivaras filhotes, que vivem no local. Em geral, quando filhotes, os jacarés se alimentam mais de invertebrados e depois, maiores, comem mais vertebrados. Já houve até registro de cachorro de porte pequeno que acabou sendo abocanhado por jacaré às margens do lago, informou a UFMS.

O futuro desses jacarés no local também depende do futuro do Lago do Amor, que vem enfrentando assoreamento, monitorado pela UFMS desde 2002.  A professora Vanda alerta que “se for feito desassoreamento do Lago, será preciso planejar antecipadamente como remanejar os animais”, informou a professora.

Seria único

Com a dificuldade de classificação de alguns animais capturados pelos pesquisadores, por apresentarem  características comuns às duas espécies, “amostras de sangue dos animais foram processadas por técnicas moleculares, pela amplificação parcial do gene COI, indicando processo de hibridização dos indivíduos entre as espécies Caiman latirostris e C. yacare, mas aspectos morfológicos dos animais bem como emprego de outros genes como parâmetros comparativos ainda estão em processo para maior robustez dos dados”, relatam os pesquisadores em relatório também assinado pela acadêmica Bianca Courbassier Simões, do curso de Ciências Biológicas.

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