Campo-grandense é 100% compatível e vai doar medula para menino de 9 anos da Turquia

Em agosto do ano passado, a funcionária pública Vanessa Mansano, 39 anos, foi surpreendida com um telegrama. A mensagem cheia de significados foi lida com medo, mas também com muita alegria. Apenas alguns meses inscrita no banco de doação de medula óssea, ela era compatível com um menino de 9 anos e 33 quilos, residente na cidade de Istambul, na Turquia.

Vanessa viajana quarta-feira da semana que vem, dia 26, à cidade paulista para que os médicos façam a coleta
Vanessa viajana quarta-feira da semana que vem, dia 26, à cidade paulista para que os médicos façam a coleta

A campo-grandenses é a única entre 1 milhão de pessoas no mundo a ter uma médula óssea compatível a de um paciente em tratamento contra o câncer sem haver nenhum parentesco entre eles. “É uma sensação muito forte. Eu durmo e acordo pensando que ele está fazendo quimioterapia todos os dias para matar toda a médula óssea dele para que possa receber a minha sadia”, explica.

“Eu sou descendente de japoneses, um dia vi uma moça também descendente pedindo para que as pessoas se inscrevem no banco porque ela precisava de doação de medula. Fiquei sensibilizada. No fim, não pude ajudá-la, mas para minha alegria vou ajudar outra pessoa”, comemora.

No Brasil, a chance de achar alguém compatível é de uma em cada 100 mil. Mesmo entre consanguíneos a probabilidade achar alguém que possa ser doador é baixa: entre irmãos é de 25% e entre outros familiares é de 9%. Quem não tem o privilégio de encontrar alguém próximo que seja compatível precisa recorre aos registros de doadores.

Vanessa conta que depois que recebeu a notícia, sua única preocupação e estar bem, saudável. “Durmo e acordo pensando que posso salvar a vida de alguém, me preocupo demais com tudo, já imaginou seu em ficar doente, pegar uma dengue por exemplo”, exemplifica ao contar que se isso acontecesse a doação seria cancelada.

Depois de contatada, ela precisou repetir o exame para averiguar a compatibilidade, que deu mais uma vez 100%.

Para Vanessa, o importante agora é disseminar cada vez mais informações sobre o banco de medula. “O Redome, que é o banco de medula é conectado no Brasil todo e também no exterior. É uma grande rede de doadores e pessoas que precisam da medula. Eu quero contar para todos como foi a doação, dizer que não dói nada, que é um procedimento tranquilo, quebrar esse medo que as pessoas tem”, explica.

Depois de testes complementares no Hospital do Câncer de Barretos, Vanessa voltará na terça-feira da semana que vem, dia 26, à cidade paulista para que os médicos façam a coleta já na quarta-feira (27).” Os custos são todos bancados pelo Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Tô muito feliz em ter sido escolhida por Deus pra poder salvar uma vida. E ainda por ser uma crianca. Não vejo a hora! Estou confiante que vai dar tudo certo”, conta ansiosa com a chegada do grande dia, dia de salvar a vida de alguém.

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