Campanha chama atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito

Jackson Nogueira

A ação mundial Maio Amarelo de 2017 chama atenção da sociedade para o alto número de acidentes com mortos e feridos no trânsito. O último número oficial, divulgado por meio do Observatório Nacional de Segurança Viária, revela que em 2014 foram registradas 43 mil mortes no trânsito e em 2015 a estatística se aproxima dos 50 mil. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em Mato Grosso do Sul em média uma pessoa morre vítima de acidente de trânsito por dia.

Fluxo diário da via é de 18.320 veículos indo para o centro da cidade e 17.990 veículos para o Parque dos Poderes

Com o tema “Minha Escolha Faz a Diferença” a ação Maio Amarelo de 2017 reforça que, em muitos casos, os acidentes são consequências das escolhas dos condutores no trânsito, ao adotar gestos como atender o celular ao volante, dirigir depois de beber, bem como desobedecer outras leis de trânsito, o que coloca em risco a própria vida e a vida dos outros.

O governador Reinaldo Azambuja destaca a importância da ação coordenada entre o Poder Público e a sociedade civil, com objetivo de colocar em pauta o tema segurança viária e envolver os mais diversos segmentos entre órgãos de governos, empresas, entidades de classe, associações, federações e sociedade civil organizada.

“Temos feito muitos investimentos na área de engenharia de trânsito, educação, inteligência. Registramos uma diminuição do número de acidentes, saindo de 31,9 mil em 2013 para 24,6 mil em 2016. Nossas campanhas educativas e o comprometimento dos motoristas reduziram em 33%, mas esse número ainda está muito aquém do que desejamos. O mês de maio começou com muitos acidentes envolvendo vítimas fatais no feriado prolongado. Mesmo assim, temos registrado um crescente número de multas por excesso de velocidade. Por isso, convidamos a sociedade como um todo a se engajar nesse movimento, por um trânsito mais seguro onde as escolhas fazem a diferença”, afirma.

Entre as obras importantes financiadas pelo Governo do Estado está o reordenamento do trânsito na rotatória da confluência das avenidas Mato Grosso e Nelly Martins (Via Parque), em Campo Grande.

Com recursos estaduais de mais de R$ 1,6 milhão, a prefeitura gerencia o projeto que prevê a instalação de semáforos, abertura do trecho como opção de acesso ao Parque dos Poderes e à região do bairro Carandá Bosque e intervenções na drenagem e abertura de uma faixa adicional na avenida Mato Grosso, no acesso à rotatória. Conforme a Agetran, o fluxo diário da via é de 18.320 veículos indo para o centro da cidade e 17.990 veículos para o Parque dos Poderes.

O Maio Amarelo foi criado durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em 2010, com a definição da “Década de ações para a segurança no trânsito”. O Brasil é signatário do movimento ao lado de outros 178 países. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2016 apontam o Brasil como o quarto país com mais mortes no trânsito na América – 23,4 mortes no trânsito para cada 100 mil habitantes, atrás somente Belize, República Dominicana e Venezuela – com registro de 45,1 mortes por 100 mil habitantes.

Ações educativas

O diretor presidente do Detran, Gerson Claro, informa que estão planejadas inúmeras ações de engajamento junto à população.

“Temos uma programação extensa em todos os 79 municípios. São palestras, ações educativas, blitz informativas, entre diversas outras, com participação dos Centros de Formação de Condutores, Polícia Militar, Igrejas, sindicatos, associações, empresas privadas. São mais de 150 entidades, que ao lado dos Detrans e Agetrans de todo Brasil estão unidos para envolver a sociedade por um trânsito mais seguro”, pontua.

Gerson diz que o Maio Amarelo não é um movimento do Estado e a sociedade precisa fazer a diferença. “São muitas vítimas possíveis de diminuir. Hoje, 90% dos acidentes tem como fator preponderante as falhas humanas, por isso a campanha da escolha faz a diferença. Eu escolho andar na velocidade permitida ou a 190km/hora. Só em 2016 registramos mais de 24 mil multas. Desse total, 21 mil dentro das cidades. O poder público não quer multar ninguém. Queremos que as pessoas passem a obedecer as velocidades e mudem de comportamento porque bebida e direção não combinam, nem celular ao volante”, ressalta.

A expectativa é ultrapassar um milhão de pessoas em Mato Grosso do Sul com o movimento. “Estamos levando o tema aos mais diversos lugares. No dia 11 de maio teremos o dia D, data em que o Brasil se tornou signatário do pacto pela segurança no trânsito com a ONU. Então, temos certeza que a sociedade vai assumir o compromisso de mudar de comportamento por um trânsito mais humano”, diz Gerson.

Custo do acidente

O acidente de trânsito já é considerado uma epidemia mundial pelas autoridades de saúde pública. Isso porque, tão grave quanto as mortes são as pessoas que ficam sequeladas. E o fato mais sério não é o prejuízo financeiro, mas o lado social e o trauma que atingem famílias inteiras, com pessoas acamadas, em cadeiras de rodas e, até mesmo, que precisam parar de trabalhar para dedicar mais tempo a essas vítimas.

Em Mato Grosso do Sul o Detran aponta uma frota de 1,4 milhão de veículos para uma população de 2,6 habitantes (IBGE2015), o que representa quase um veículo para cada dois habitantes. Apesar da pesquisa CNT de Rodovias 2016 – realizada em parceria com Sest/Senat – apontar que 87,2% das rodovias estaduais e federais que cortam MS são ótimas, boas ou regulares, o diretor do Detran ressalta que o planejamento viário não está preparado.

“Não estamos preparados para essa movimentação de veículos, especialmente de motos. Os hospitais estão abarrotados. Na Santa Casa, por exemplo, 70% são motociclistas e mais de 50% desses traumas são de pessoas não habilitadas. Para se ter uma ideia, em 2009 a OMS contabilizava 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países e 50 milhões de pessoas sobrevivendo com sequelas. Atualmente, esses acidentes já representam um custo de US$ 518 bilhões por ano, um percentual entre 1% e 3% do produto interno bruto de cada país. No Brasil se gasta R$ 56 bilhões por ano com acidentes. Com esse valor daria para construir 1,8 mil hospitais e 28 mil escolas. Precisamos cada vez mais alertar aos nosso condutores que os acidentes são resultado de escolhas que tomamos”, finaliza Gerson. Assista a campanha publicitária do Movimento Maio Amarelo 2017.

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