Câmara retira "identidade de gênero" e aprova Plano de Educação

Os vereadores de Campo Grande suprimiram a identidade de gênero, o ponto mais polêmico, e a aprovaram o Plano Municipal de Educação na sessão ordinária da Câmara Municipal nesta manhã. Sob protestos de religiosos, os vereadores fizeram discursaram contra a proposta e defenderam a “família campo-grandense”. Ao todo, foram retirados 12 pontos polêmicos do plano.

Houve protestos na Câmara em razão dos pontos polêmicos  Foto Silvio Ferreira
Houve protestos na Câmara em razão dos pontos polêmicos Foto Silvio Ferreira

Os vereadores Eduardo Romero (PTdoB) e Luiza Ribeiro (PPS) foram os únicos contrários ao plano depois das modificações, por compreenderem que ele limita alguns aspectos relacionados ao gênero que não têm relação com questões da comunidade LGBTT.

“Não vivemos o desenho de uma família tradicional e é preciso que os direitos humanos sejam assegurados por uma discussão não apenas ideológica do ponto de vista da fé”, declarou Romero.

Antes de se posicionarem a favor do plano, os vereadores fizeram reunião a porta fechadas, onde fecharam acordos pra que as emendas fossem aprovadas. Durante esse “intervalo”, pessoas ligadas à igreja católica distribuíram cartazes enquanto cantavam “abençoa senhor as famílias”.

Para Dom Dimas, que participou da sessão, a proposta original colocava em risco o “pátrio poder dos pais em educar seus filhos, transferindo à escola questões de gênero e de sexualidade”.

O presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB/MS, Julio Valcanaia, reforçou que excluir o fator de gênero é “complicado” porque este também contempla questões sociais, além das ligadas ao público LGBTT, como a diferença salarial entre homens e mulheres. Segundo ele, a forma como esses pontos foram tratados foi restritiva e impediu o reconhecimento das diferenças de gênero.

Professores que ocupavam o plenário, desde o início da manhã, deixaram o local durante a votação do plano. Quando questionado, o presidente do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), Geraldo Alves, declarou que “é mais importante cumprir a lei do piso salarial, do que apenas prever em um plano a valorização do professor”.

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