Câmara ‘abalada’ com renuncia de Olarte cancela sessão

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João Rocha e Carlão na Mesa diretora

O título pode ser exagerado, mas a sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Campo Grande, desta quinta-feira (8) foi aberta e fechada logo em seguida, devido ao anúncio da renúncia de Gilmar Olarte (Pros) aos cargos de prefeito e vice da prefeitura da Capital. A conclusão do abalo ou colocação do termo, entre os parlamentares, vem do próprio presidente da Casa, vereador João Rocha (PSDB), que informou que a sessão foi abreviada por conta do caráter histórico e da excepcionalidade da situação.

A carta renúncia de chefes do Executivo, que tem que ser encaminhada e oficializada no Legislativo foi formalizada em sessão de três minutos na manhã de hoje na Câmara Municipal. De acordo com direção da Casa de Lei, o documento CLIQUE AQUI e veja a foto da carta, foi protocolado às 8h40 pela defesa de Olarte, que estava afastado do cargo de prefeito desde 25 de agosto de 2015, quando foi preso pela primeira vez e Alcides Bernal retorno ao cargo também. Atualmente Olarte continua preso, após ser preso novamente em 15 de agosto deste ano.

A carta de renúncia foi lida pelo secretário da Câmara, vereador Carlão, sendo sucinta e sem explicação do motivo. Após a rápida leitura, a sessão também se deu relâmpago, sendo encerrada, apesar da pauta de hoje prever análise de vetos e projetos como o Página Brazil publicou mais cedo. Com o encerramento da sessão, os vereadores foram para a sala de reuniões da Câmara.

Na pratica, o cargo está vago há pouco mais de um ano, com o afastamento de Olarte e a renúncia não reflete, neste momento, na administração municipal. Agora, o posto de vice-prefeito fica vago e o documento deve ser publicado amanhã no Diário Oficial do município, conforme a procuradoria jurídica da Câmara.

Sem comentários

O silêncio tomou conta do plenário da Câmara e nenhum vereador quis se pronunciar sobre o tema e os que ainda estavam presente após encerramento da sessão foram saindo para a sala de reunião.

Rocha não quis comentar sobre o fato de ser o próximo na linha sucessória e o fato de Alcides Bernal (PP) estar no comando da prefeitura por força de liminar judicial. “Não quero entrar nesse mérito, segue da mesma forma”, enfatiza.

A Procuradoria Jurídica da Casa de Leis fez questão de ressaltar que, com a renúncia, o presidente da Câmara Municipal, vereador Prof. João Rocha “não é vice-prefeito de Campo Grande, cabendo a ele apenas assumir a função em casos expressos e previstos em lei”.

MPE-MS denuncia Gilmar Olarte (Foto: Divulgação )
Gilmar Olarte sendo preso pela segunda vez no mês passado (Foto: Divulgação )

Situação de Olarte

Em tese, com a renúncia, os processos contra Olarte voltam para o primeiro grau na Justiça estadual, o que permite mais uma instância para recursos, no caso o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Desde março de 2014, quando assumiu a prefeitura, Olarte foi alvo das operações Adna, Coffee Break e Pecúnia. Todas realizadas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). As investigações são de corrupção e lavagem de dinheiro.

Olarte foi afastado da prefeitura, em agosto de 2015, pelo então processo da Operação na Coffee Break, que denuncia compra de votos para cassação de Bernal. Já a atual prisão veio com outra Operação do Gaeco, denominada Pecúnia deflagrada em 15 de agosto de 2016, onde prendeu Olarte e agora também sua esposa, Andreia Olarte e outros quatro empresários.

A Pecúnia é também uma consequência da Coffee Break, que resultou em nova investigação sobre lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e formação de quadrilha em fase de recursos possivelmente oriundos dos cofres públicos em época que exerceu o cargo de prefeito, de fim de março de 2014 a agosto de 2015.

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