Cães farejadores de MS viajam a Brumadinho para ajudar em buscas de desaparecidos

Da Redação

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Dois cachorros farejadores do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul viajaram hoje (26) rumo a Minas Gerais em missão de busca e resgate das vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho. O desastre, na região metropolitana de Belo Horizonte, completou oito meses nesta quarta-feira (25). Vinte e uma pessoas seguem desaparecidas.

Duke e Cindy trabalham em conjunto com seus treinadores, major Fábio Pereira de Lima e sargento Luciclei da Silva Lima, respectivamente. Na missão de Brumadinho, as duas equipes contarão o auxílio do cabo Wilson Rogério de Souza Monteiro. O time embarcou no Aeroporto Internacional de Campo Grande às 10h50 com previsão de chegar à cidade ainda na noite desta quinta-feira.

Ambos os cães têm sete anos de idade. Duke é da raça pastor belga e Cindy é da linhagem labrador retriever. Por ser de grande porte, o cachorro macho viaja no setor de cargas do avião. Já a fêmea segue o percurso ao lado do treinador, no banco da aeronave. Esta é a primeira missão deles fora do Estado, mas os dois possuem experiência em buscas no MS, com certificados a nível nacional de buscas por restos mortais.

De acordo com o major Fábio, os cães passarão por exames clínicos no médico veterinário antes do início da operação, marcada para a manhã de sexta-feira (27). “Sabemos que a dificuldade é grande e vamos trabalhar ao máximo para localizar os corpos ou os segmentos dos corpos para que possam fazer a identificação”, afirmou o bombeiro militar.

Trabalho

Dividida em duas etapas com intervalo de 15 dias, a operação de busca e resgate dos Bombeiros de MS vai durar 30 dias. A primeira fase inicia hoje segue até 10 de outubro. A segunda está programada para começar em 26 de outubro e terminar em 9 de novembro.

Segundo o sargento Luciclei, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais traça estratégias diárias de busca e resgate das vítimas desaparecidas. “Eles vão nos dar coordenadas com um quadrante, que é a região onde os cães vão fazer a busca. Também podemos fazer perfurações no solo. Se tiver algum corpo embaixo ele vai liberar odor e o cão vai indicar”, explicou.

Conforme os militares, o olfato dos cachorros é até 44 vezes mais aguçado do que o mesmo sentido do ser-humano. Por isso, os animais são utilizados em operações com vítimas soterradas e perdidas na mata.

Na linguagem militar, a dupla homem/cão é chamada de binômio. Desde o rompimento da barragem de minério do Córrego Feijão, em 25 de janeiro deste ano, Corpos de Bombeiros de vários estão atuando em Brumadinho. Já deram apoio binômios do Ceará, Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

As duplas foram responsáveis por localizar 80% dos corpos soterrados. A tragédia deixou 270 desaparecidos, sendo 249 mortes confirmadas.

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