Brasileirão inicia com ‘principiantes’ buscando se provar como técnicos

Gazeta Esportiva.com

Fernando Diniz, 44 anos, vice-campeão paulista com Audax em 2016, é um dos treinados mais novos e ousados entre os 20 deste Brasileirão. Diniz é aposta do Atletico-PR, para surpreender (Foto : Miguel Locattelli)

O mais importante Campeonato Brasileiro de Futebol, o Brasileirão, começa no próximo sábado (14), com algumas caras novas tentando buscar o seu lugar ao sol no competitivo mercado de técnicos da elite do futebol nacional. Consequência de um impacto causado pelo resultado pífio da Seleção na Copa do Mundo de 2014, realizada em casa, o fato de apostar em um nome fora do grupo composto pelos ‘medalhões’, considerado por muitos como ultrapassados, vem se tornando cada vez mais tendência.

Além das apostas, há também aqueles que ‘taparão o buraco’ enquanto os clubes nos quais atuam como auxiliares técnicos não encontrem um nome ideal. São os casos de Flamengo e Atlético-MG, que contam com Maurício Barbieri, de 36 anos, e Thiago Larghi, de 37, respectivamente, neste início de disputa. O segundo, inclusive, vive a expectativa de ser efetivado, algo que não é descartado pela diretoria do Galo.

Se antes ter um profissional experiente na beira do campo era considerado pelos clubes brasileiros um dos requisitos para alcançar o sucesso, atualmente não é bem assim. No País, há a generalização de que todo treinador jovem será mais atualizado, estudioso e assim trará títulos. O caso vitorioso do Corinthians, que apostou em Fábio Carille pela falta de opções, contribui ainda mais para o aumento da fé nos novatos. Com o aprendiz de Mano Menezes e Tite promovido a técnico, o Timão conquistou, por enquanto, dois Campeonatos Paulistas e um Brasileirão.

Dos 20 treinadores da Série A, pelo menos dez deles podem ser considerados da nova geração. Fora os já citados, o campeonato deste ano também contará com Fernando Diniz (44, Atlético-PR), Alberto Valentim (43, Botafogo), Odair Hellmann (41, Internacional), Roger Machado (42, Palmeiras), Rogério Micale (49, Paraná), Jair Ventura (39, Santos) e Zé Ricardo (46, Vasco) entre os profissionais que estão no início de suas trajetórias na elite.

Veja abaixo, três nomes e resumo de atuação

Seria preconceito com os mais experientes? Cada vez mais raros na beira do campo, os medalhões devem iniciar o Campeonato Brasileiro com uma pressão que até então já haviam deixado para trás há muito tempo: mesmo após todos esses anos de carreira, mostrar que ainda podem ser úteis. Nelsinho Baptista é um deles. Em contrapartida, há outros que permanecem intocáveis em suas respectivas equipes, como Mano Menezes, Abel Braga e Renato Gaúcho, todos motivos de esperança para quem já não sabe o que é vencer à frente de um grande há tempo, como Luxemburgo, Emerson Leão e Celso Roth.

A aposta em estrangeiros é uma outra alternativa. O São Paulo é o clube que mais tem caminhado nesta direção. Somente nos últimos quatro anos, o time do Morumbi contratou três treinadores de fora do Brasil. Juan Carlos Osorio deixou o Tricolor e aceitou o convite da seleção mexicana, em 2015. No ano seguinte, foi a vez de Edgardo Bauza se despedir para treinar a Argentina. Agora, o uruguaio Diego Aguirre é o homem de confiança do diretor-executivo de futebol Raí para fazer a equipe reencontrar o caminho dos títulos.

Embora o São Paulo não tenha tido muitos problemas com os estrangeiros, já que em ambos casos foi o treinador quem decidiu sair do clube, os técnicos de fora seguem com um saldo negativo no Brasil. Ricardo Gareca, em 2014, comandou o Palmeiras somente em 13 oportunidades e foi sacado. Aguirre, por sua vez, conquistou apenas o Campeonato Gaúcho quando esteve no Inter e acabou demitido do Atlético-MG após a eliminação na Libertadores.

Basta saber quais treinadores, categorizados no Brasil por idade e não por ideias de jogo, irão se dar melhor ao final do Campeonato Brasileiro. O calendário apertado por conta da Copa do Mundo dificultará ainda mais a missão dos profissionais à beira do campo. Em contrapartida, a parada de um mês para o Mundial, em que todos terão um precioso tempo para fazer ajustes, deverá distinguir os bons dos maus trabalhos.

Comentários