Bolsonaro diz que é preciso ‘facilitar vida dos patrões para dar emprego’

VEJA/JP

‘O cara desce da palmeira, anda 100 metros, pega um banheiro químico e fecha a porta? Dá 80 graus. Um microondas pra fazer xixi?’, disse (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Em sua tradicional live nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira, 9, que é necessário reduzir o número de normas regulamentadoras relativas à segurança do trabalho. Para Bolsonaro, é preciso “facilitar a vida dos patrões”, porque “se você acabar com os patrões, não tem emprego”.

Bolsonaro citou o exemplo de uma empresa de corte de folha de carnaúba na região conhecida como Matopiba, que engloba os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Uma das multas, segundo o presidente, seria pela ausência de banheiro químico para os funcionários. “O pessoal cortando folha de carnaúba, 45ºC de temperatura, chega o pessoal para multar. Deu no coitado 100 mil reais em multa. O cara tá no interior, fundão do Agreste, subindo em árvore para cortar folha de carnaúba para fazer cera. Levou umas dez multas, uma delas porque não tinha banheiro químico. Olha só, o cara desce de uma palmeira daquelas de 10 metros, 45ºC, vai ter que andar 100 metros, vai pegar um banheiro químico que está borbulhando em fezes, fecha a porta? Dá 80 graus. Um microondas pra fazer xixi? Tem cabimento isso daí?”, questionou Bolsonaro.

O presidente também afirmou que, embora o Brasil tenha uma série de normas regulamentadores, o país continua recordista em acidentes de trabalho. “Aí o pessoal reclamou que eu estou ferrando o trabalhador. Ao longo deste tempo todo, são mais de 3000 itens para serem multados, mas continuamos recordistas em acidentes de trabalho”, rebateu.

Lembrado por um auxiliar que acompanhava a transmissão, Bolsonaro ironizou a multa dada pela ausência de livro-ponto para os trabalhadores. “Não tinha livro-ponto para quem cortava cana lá no meio do mato, no meio do interiorzão, 45ºC. O cara de sunga fica suando na sombra. Faltou livro-ponto? Multa no cara. Assim não dá para produzir no Brasil”, disse.