BC eleva previsão de inflação para 8,29%, no ano

Economistas de instituições financeiras elevaram pela quarta vez seguida a perspectiva para o IPCA este ano. Desta vez, foi de 8,26% para 8,29%, segundo pesquisa feita semanalmente pelo Banco Central e divulgada nesta segunda-feira. No entanto, pela primeira vez desde fevereiro, os analistas reduziram o cenário para a inflação no ano que vem de 5,6% para 5,51%.

Já as estimativas para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços no país) em 2015 passaram de queda de 1,18% para 1,20% e, para 2016, se mantiveram em crescimento de 1%.

Mesmo com perspectiva de alta maior do custo de vida, os economistas mantiveram a projeção para a Selic ao fim deste ano em 13,50%, depois de o BC ter afirmado que decisões futuras de política monetária serão tomadas para assegurar a convergência da inflação para a meta ao fim de 2016.

Eles passaram a ver a taxa básica de juros mais alta ao fim de 2016, a 11,63% na mediana das projeções, ante 11,50% na semana passada, de acordo com a pesquisa Focus do BC divulgada nesta segunda-feira. As estimativas para a taxa de câmbio se mantiveram estáveis em US$ 3,20 no fim de 2015 e em US$ 3,30 no fim de 2016.

Na última quinta-feira, o BC divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou os juros a 13,25%. No texto, a autoridade monetária mostrou que a alta do dólar e a pressão dos reajustes de tarifas tornaram o cenário mais difícil para o combate à inflação. Por isso, o BC admitiu que a esperada convergência para o centro da meta oficial — 4,5% — só deve ocorrer no fim do ano que vem. Antes, a expectativa era alcançar o objetivo ao longo de 2016.

Dessa forma, a autoridade monetária deixou o caminho aberto para continuar a subir os juros, que já estão em 13,25% ao ano: o maior patamar desde 2009. E avisou quer que todos os efeitos desse ajuste de preços fiquem em 2015 e não contaminem o ano que vem.

“O Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes. Nesse contexto, o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante”, diz a ata ao deixar a porta aberta para o BC continuar a aumentar os juros.

REAJUSTE MAIOR DE TARIFAS PÚBLICAS ESTE ANO

De acordo com a ata, o Copom aposta que a inflação das tarifas públicas deve ser um pouco mais alta que o previsto antes. A previsão de alta para este ano subiu de 10,7% para 11,8%. É um reflexo da alta da gasolina de 9,8%. A projeção anterior era de 9,3% para este ano. Já a alta do botijão de gás caiu de 3,2% para 1,9%.

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Considerada a taxa oficial no país, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,71% em abril, segundo dados divulgados pelo IBGE na última sexta-feira. O resultado representa uma desaceleração frente ao comportamento de março, quando o índice subiu 1,32%. Nos 12 meses encerrados em abril, a inflação chegou a 8,17%, a mais alta desde o período de 12 meses encerrados em dezembro de 2003, quando somou 9,30%.

A taxa de abril foi a menor de 2015 e a primeira vez no ano em que o IPCA ficou abaixo de 1%. O resultado, porém, é o mais alto para abril desde 2011, quando atingiu 0,77%. E também muito acima da taxa de abril do ano passado, quando foi de 0,67%.

O IPCA acumulado nos quatro primeiros meses do ano, de 4,56%, já passa do centro da meta oficial de inflação do governo. Ao mesmo tempo, a inflação de janeiro a abril é a mais alta para o período desde 2003, quando ficou em 6,15%. Em março de 2015, essa taxa ficou em 8,13%.

O Globo

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