Barragem de rejeito de lavra de ouro rompe em MT

ESTADÃO/JN

Uma barragem de rejeito de lavra de ouro rompeu nesta terça-feira, 1º, no município de Nossa Senhora do Livramento, no Mato Grosso. O rompimento, que ainda não teve a sua causa esclarecida, foi confirmado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Com o rompimento, a comunidade de Brejal acabou ficando isolada e teve o fornecimento de energia e serviços de telefonia interrompidos.

A estrutura tem altura de 15 metros e volume armazenado de 582,1 mil metros cúbicos de rejeito. Não houve identificação de vítimas e duas pessoas que trabalhavam no local foram levadas ao hospital, segundo a ANM.

Os funcionários não tiveram ferimentos graves e foram liberados. A barragem TB01 está em nome do empresário Marcelo Massaru Takahashi. A denúncia do rompimento foi feita por volta das 9 horas da manhã pelos próprios moradores da região à ANM, que deslocou uma equipe ao local.

“Os técnicos, então, constataram o rompimento do dique e o espalhamento de parte do material que estava sendo armazenado na bacia de contenção da barragem. Pelo que foi possível observar, o material escoou por uma área que varia de 1 a 2 km, a partir do pé do talude onde ocorreu a ruptura do barramento”, informou a agência.

A barragem está inserida na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), classificada com Dano Potencial Baixo e Categoria de Risco Baixa. O proprietário enviou Declaração de Condição de Estabilidade no último dia 25 de setembro À ANM, assinada por responsável técnico habilitado pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA/MT) e pelo dono da empresa.

Os extratos de inspeção regulares enviados nunca reportaram qualquer anomalia (sempre pontuações zero em todos itens do estado de conservação) desde 21/09/2018, segundo a agência. Os técnicos constataram que os rejeitos atingiram uma área onde havia vegetação no local. “A ANM interditou e autuou o empreendimento e continua no local inspecionando a área e verificando se há outros riscos”, informou a agência.

Em nota, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Mato Grosso disse estar trabalhando, em conjunto com a ANM, para avaliar os impactos ambientais.

Para lembrar
Barragem de Fundão – Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, deixou 19 mortos e causou uma enxurrada de lama que inundou diversas casas no distrito de Bento Rodrigues, na cidade mineira de Mariana. Essa barragem abrigava cerca de 56,6 milhões de metros cúbicos de lama de rejeito, 43,7 milhões vazaram. Além da destruição nas casas e mortes de moradores, o rejeito atingiu os afluentes e o próprio Rio Doce.

Barragem no Córrego do Feijão – Em 25 de janeiro deste ano, uma barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, se rompeu. A tragédia deixou 249 pessoas mortas, outras 21 continuam desaparecidas. O Corpo de Bombeiros continua na região fazendo buscas pelos corpos. O rompimento ocorreu em uma barragem com volume de 12,7 milhões de metros cúbicos.