Baleias voltam a ser caçadas no Japão após mais de 30 anos

G1/JP

Trabalhadores preparam-se para descarregar uma baleia minke capturada em 1º de julho, em porto em Kushiro, em Hokkaido, no Japão (Foto: Masashi Kato/ Reuters)

A primeira caça comercial de baleias no Japão após mais de 30 anos de proibição foi considerada um sucesso pelos pescadores, o que provoca temores a respeito do futuro desses animais e inquieta os ambientalistas.

Horas depois de saírem para o mar, os navios retornaram com duas baleias minke.

“A captura foi muito maior que o esperado. Estou muito feliz”, disse Yoshifumi Kai, que é presidente de uma associação que reúnem caçadores de baleias de pequeno porte.

As embarcações, que devem passar a maior parte do verão em atividade, poderão capturar 227 animais, sendo 150 baleias-bicudas-de-baird, 52 baleias minke e 25 baleias-sei, de acordo com a cota estabelecida pela Agência de Pesca.

Entre as três, apenas baleias-sei estão listadas como ameaçadas de extinção, de acordo com a CNN.

Baleia é trazida para a costa para ser processada em Kushiro, na principal ilha ao norte de Hokkaido, na segunda-feira (1º)  — Foto: Masanori Takei / Kyodo News via AP
Baleia é trazida para a costa para ser processada em Kushiro, na principal ilha ao norte de Hokkaido, na segunda-feira (1º) (Foto: Masanori Takei / Kyodo News via AP)

Saída de comissão 

Em dezembro, o Japão deixou a Comissão Baleeira Internacional(IWC, na sigla em inglês) da qual era membro desde 21 de abril de 1951. A organização foi criada para garantir a preservação desses cetáceos e impedir sua caça indiscriminada nos oceanos.

A decisão de sair da comissão foi resultado de anos de campanha de defensores da indústria e do primeiro-ministro, Shinzo Abe, que conta em sua base eleitoral com o apoio de uma cidade que manteve a pesca por muito tempo.

Fins científicos 

Em 1986, a Comissão impôs a proibição da caça comercial, depois que algumas espécies foram praticamente levadas à extinção pela pesca predatória.

Em 1987, o país iniciou pescas com “fins científicos”, visando reunir o que classificou com dados populacionais cruciais. O Japão suspendeu a caça comercial em 1988.

Porém, a carne dos animais mortos sob essa prerrogativa acabava sendo comercializada- algo que era amplamente criticado por ambientalistas.

O Japão iniciou a caça às baleias para pesquisas científicas um ano após uma proibição de 1986 à caça comercial, visando reunir o que classificou com dados populacionais cruciais, mas abandonou a caça comercial em 1988.

Questão cultural 

As autoridades japonesas dizem que comer baleias é parte da cultura local. Algumas comunidades na costa do país caçaram-nas por séculos, mas o consumo só cresceu no país após a Segunda Guerra Mundial, quando os animais eram a principal fonte de carne.

Em 1964, os japoneses consumiram 154.000 toneladas de carne de baleia, de acordo com estatísticas do governo divulgadas pela CNN. Nas décadas de 1970 e 1980, a baleia frita era um prato comum servido no almoço para crianças em idade escolar.

Nas últimas décadas, a procura por esse tipo de carne despencou. Em 2017, os japoneses comeram apenas 3.000 toneladas. Per capita, isso equivale a aproximadamente duas colheres de sopa de carne de baleia por ano.

A taxista Sachiko Sakai, de 66 anos, que mora em Kushiro, cidade portuária de Hokkaido, ilha no extremo norte japonês, contou à Reuters que comia muita carne de baleia na infância. “Se tivéssemos mais baleias disponíveis, nós as comeríamos mais. É parte da cultura alimentar do Japão”, disse.

“O mundo se opõe à caça às baleias, mas se pode dizer o mesmo de muitos dos animais criados em terra e abatidos para servir de alimento”.

Comentários