Avanços sociais aumentaram expectativa de vida das pessoas com Down

No campo da ciência recentes descobertas mostram que a trissomia 21, conhecida como Síndrome de Down, não causa hipertensão arterial, infarto agudo de miocárdio, asma, câncer sólido ou parasitose intestinal. As informações são do geneticista e pediatra Prof. Dr. Zan Mustacchi, “o que sabemos hoje é que o síndrome de down aprende, faz faculdade, namora, transa, se bobear faz filhos, quer dizer, síndrome de down hoje é uma criança quase que comum”.

Foto Luana Campos
Foto Luana Campos

Na manhã de hoje (25), Mustacchi esclareceu diversas dúvidas junto com outros especialistas sobre o assunto durante o “1° Simpósio Sul-Mato-Grossense sobre Síndrome de Down”, que segue até às 20h no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo em Campo Grande – MS. Cerca de 600 pessoas participam do evento.

No Brasil, uma estimativa realizada pela organização “Movimento Down” aponta que aproximadamente 270 mil pessoas vivem com a síndrome. De acordo com Mustacchi, o país é o segundo do mundo em atenção a trissomia 21 e tem Campo Grande como um ícone já que foi a primeira cidade brasileira a criar uma pós-graduação voltada para o tema. Desde a década de 50, o geneticista explica que a expetativa de vida dessas pessoas subiu de 10 para 70 anos, em média. Mais do que avanços na medicina propriamente, o que permitiu esse aumento foram as exigências que as famílias e profissionais fizeram sobre atenção e cuidados para esse público.

“As pessoas tem muita necessidade de informação sobre isso”, revela a idealizadora do evento Caroline Brambilla Carvalho,. Há um ano e oito meses ela teve Benício, que nasceu com trissomia 21. Com pouco conhecimento do assunto ela procurou especialistas por todo o Brasil e ao perceber que suas dificuldades eram compartilhadas por outros pais decidiu organizar o simpósio. “A cada fase os problemas mudam, quando são pequenas é a saúde, depois vem a educação, na idade adulta a inclusão, mas quanto mais informação, mais avançamos contra as barreiras”, declarou..

Inclusão

Dados recentes divulgados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), mostram que nos últimos 5 anos o número de pessoas com deficiência inseridas no mercado de trabalho aumentou 20% em decorrência da implantação de Lei de Cotas.

Mesmo sem números precisos sobre qual é a quantidade de pessoas com síndrome de down nessa estimativa, Mustacchi avalia que apenas em alguns casos pontuados elas não podem compartilhar o mesmo sistema seja educacional ou de modelo trabalhista que as demais pessoas, “quando você fala de inclusão o primeiro passo e o mais importante chama-se respeito a dignidade humana, é para todos”.

No último dia 17, a atriz brasileira com síndrome de Down, Tathiana Piancastelli, emocionou a plateia durante a apresentação da peça “Apple of My Eye” (Menina dos Meus Olhos) no 30º Festival Internacional de Teatro Hispânico, em Miami, EUA.

Escrita e protagonizada por Piancastelli o espetáculo retrata os preconceitos e a falta de autonomia que a sociedade impõe as pessoas com síndrome de down. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Tathi revelou que um dia assistia a televisão e pensou, “eu vou escrever uma peça te teatro, eu fui atrás do meu sonho e eu acredito nele”.

Luana Campos

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