Ato em memória de Mayara e contra Feminicidio ocorrerão em Campo Grande e São Paulo

Lúcio Borges

A tragédia e crime bárbaro, o quarto em uma semana, em Campo Grande, contra a musicista Mayara Amaral, 27 anos, revelado na última quarta-feira (26), será lembrado em ato de Memória a jovem e contra o Feminicidio, em Mato Grosso do Sul e pelo Brasil. O ato, apesar de um pouco longe dos acontecimentos, tem data marcada para acontecer no fim da tarde da próxima sexta-feira, 4 de agosto, simultaneamente em Campo Grande e São Paulo capital. A ação relativa ao crime de gênero (feminicídio), é para lutar contra o ato índice no Estado e o caracterizar no acontecido contra a jovem, como é apontado por familiares, amigos e outros membros da sociedade, mas não ratificado pela Polícia. O registro da brutal violência do assassinato, ficou como Latrocínio, que é o roubo seguido de morte, realizado por Luís Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, com o comparsa Ronaldo da Silva Olmedo, 30 anos.

A manifestação intitulada “Nós por Nós — ato contra o feminicídio e em memória de Mayara”, é organizado por amigos, familiares e integrantes de movimentos que defendem os direitos das mulheres em Campo Grande , que também conseguiram para acontecer em São Paulo, no mesmo dia e tempo, às 16 horas em MS (17 horas em SP). O manifesto vem contra o feminicídio, pois o crime mostra a situação das mulheres diante o machismo e suas vítimas, sendo que o mesmo, ainda foi praticado por três homens. E com isto, quer mostrar que a classificação como latrocínio, dada pela Polícia Civil, estaria ‘errada’ ou até podendo ser assim, mas tendo que ser dado o ‘agravante’ do feminicido.

O “Nós por Nós — ato contra o feminicídio e em memória de Mayara” é divulgado, principalmente, no Facebook. Ambos os eventos trazem ainda a explicação de todo a situação, relato de quem era Mayara e o crime praticado contra a musicista. Milhares de pessoas, entre os atos marcados em Campo Grande e São Paulo, já confirmaram presença e mobilizam outros convidados para discutirem o tema.

Em Campo Grande a convocação conta com uma marcha que sairá da praça Ary Coelho e vai até a Orla Ferroviária. Em São Paulo, o movimento deve discutir a forma que a imprensa trata um corpo feminino em um caso de brutal violência.

Musicista foi morta com golpes na cabeça – Foto: Reprodução / Facebook

Crime

A Polícia Civil, por enquanto já descartou o feminicídio, podendo realocar o caso em caso de comprovação após exames, sobre o Estupro da jovem, como requereu a família, que fosse realizado a analise e comprovações, principalmente após os acusados confesso terem afirmado que ela ainda teria concedido, aceitado relações sexual antes de sua morte. A PC caracterizou o crime, como a jovem vítima de latrocínio – roubo seguido de morte -, em um motel de Campo Grande, onde o então ‘namorado’ de um mês, Luís Alberto, atraiu a jovem na intenção de matá-la.

O delegado Tiago Macedo,que conduz o caso, afirma que após corpo ser encontrado, na noite da última terça-feira (25), por peões de fazendas da região do Inferninho, a família registrou boletim de ocorrência informando o desaparecimento da jovem. A partir das informações, investigadores do GOI (Grupo de Operações e Investigações) chegaram a um ex-namorado, que teria sido armado acusação por Luiz Alberto. Mas, ele possuía “álibis muito fortes”, de acordo com o delegado, que isentaram da participação no crime.

Contudo, em outra parte, uma testemunha que morava com a vítima apresentou à polícia um aplicativo que mostrou os últimos passos de Mayara depois das 16h, última vez que teria sido vista. A partir dos locais, a polícia desvendou o caso, chegando. em Luís alberto, que também é músico, baterista, e afirmou já ter tocado com a vítima. Ele foi o primeiro a ser preso, em casa, e no local, a polícia encontrou as roupas sujas de sangue, computador, telefone, CNH e o instrumento de Mayara. Na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), da Piratininga, ele confessou que atraiu para um motel na Avenida Euler de Azevedo, com entrada do carro registrada às 22h de segunda-feira.

O comparsa Ronaldo da Silva Olmedo, 30 anos, conhecido por ‘Cachorrão’, com extensa ficha policial criminal, entrou no motel escondido. A Polícia Civil acredita que Mayara foi morta a golpes de martelo quando percebeu que seria roubada e tentou reagir.

Envolvimento do terceiro

Segundo depoimentos, depois de morta, ‘Cachorrão’ pegou os pertences da vítima e com ajuda de Luís levaram o corpo para a casa, do agora terceiro envolvido, Anderson Sanches, 31 anos. No local dividiram os objetos e após cerca de de oito horas com o cadáver, decidiram levar corpo para a estrada do Inferninho, onde atearam fogo no corpo e arreadores para tentar apagar as pistas.

Cachorrão e Anderson foram presos, no decorrer das investigações, com o veículo da vítima. Conforme o delegado, Luís não possuía passagens pela polícia, mas afirmou ser usuário de droga. Já os outros dois, sobretudo ‘Cachorrão’, possuem extensa ficha criminal, entre crimes tráfico de drogas e roubo à mão armada.

Ainda segundo as investigações, Luís foi o autor da mensagem enviada à mãe da vítima para tentar incriminar o ex-namorado da vítima. À imprensa, Luís disse que agiu sob efeito de droga. “Não sabia o que estava fazendo. Eu já conhecia a vítima porque tocava com ela, mas não tínhamos um relacionamento”.

Revoltado, Cachorrão nega participação no crime, mas afirma que Luís teria oferecido o carro, modelo Gol, por R$ 1 mil. “Eu já vi ele com a vítima e até falei que não queria comprar. Não sou cagueta, mas quem matou foi o Luís. Ele agiu de má-fé comigo”, disse.

Anderson confirma a versão da venda do carro, mas nega a participação na morte de Mayara.

Penalidades

O trio será indiciado por latrocínio, com pena de até 30 anos, e ocultação de cadáver, com pena de três anos. “Se for caracterizar o Feminicido, a pena cai para entre 12 a 25 anos”, lembra o delegado.

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