ATIVA é campeã e amplia times de MS na série A do Brasileiro de Futebol 7 PC

Equipe ATIVA campeã da série B do Brasileiro do Futebol 7 PC
Equipe ATIVA campeã da série B do Brasileiro do Futebol 7 PC

O paradesporto de Mato Grosso do Sul terá um pouco mais de participação no próximo ano, na elite do Campeonato Brasileiro de Futebol 7 PC (Paralisado Cerebral), com mais uma equipe classificada para série A. O Estado contará com quatro times na modalidade, ampliando o destaque em futebol com paratletas, que hoje já é até base das seleções brasileira, como aconteceu nas Paraolimpíadas Rio 2016, com cinco a oito atletas em equipes da modalidade. O torneio que foi ocorreu neste mês teve três equipes de MS na disputa da série A e uma na divisão de acesso, a ATIVA-MS (Associação de Valorização e Apoio ao Desporto Educacional e Adaptado de MS). O time da Associação, na serie B, sagrou-se campeão e subiu para nova divisão. O título, que veio com pouco mais de três anos de trabalho, também rendeu ao técnico da equipe Wagner Melo, o convite para dirigir a paraseleção nacional sub 20.

A Ativa-MS, que conta com 12 Jogadores, participou do Brasileirão de Futebol 7 PC, no município de Águas de Lindóia/SP, em evento realizado pela ANDE (Associação Nacional de Desporto para Deficientes). Os paratletas do MS, estavam entre oito equipes que fazem parte da segunda Divisão. A Ativa-MS sagrou-se campeã invicta, vencendo a final, por 5 x 1, em partida disputada com a equipe Smel de Mogi Mirin-SP. A Ativa conquistou a vaga na final ao vencer a APBS/Corinthians, também por 4 a 1. A equipe paulista chegou a abrir o placar, mas sofreu a virada e foi disputar a terceira colocação.

O técnico Wagner Melo, professor da Educação Física, na rede pública da Capital, comenta sobre o trabalho feito nos últimos três, quatro anos para não somente conquistar o Campeonato, mas transformar de alguma forma a vida sócio-educativa dos agora paraatletas de diversos bairros da Capital. “Foram cinco partidas, que ganhamos todas e temos a satisfação de já sermos campeões. Titulo que ‘coroa’ um trabalho ou missão que vimos acontecer e criamos a Ativa-MS há quatro anos. O projeto foi criado e agregando os cidadãos com PC, onde vi que além da parte educacional, tínhamos que ir além com o esporte por exemplo. Com isto, no ano seguinte ou há três anos partimos para ‘um treino’ e como experiência fomos ao torneio em 2013, e, ficamos em quarto lugar, entre oito equipes. O resultado animou ainda mais a gente e os paratletas, que seguindo com o trabalho, em 2014 e 2015, fomos as finais e ficamos vice-campeões. Este ano, buscamos o título e somos campeões”, comentou o técnico.

futs2Melo, que tem 40 anos, sendo 17 anos trabalhando com paradesporto até em outras modalidades, lembra que o trabalho é difícil, mas muito gratificante e que já rendeu conquista dentro e fora dos campos. “Os rapazes tem idade entre 15 a 40 anos, é a deficiência já é complicada por si só. Mas, eles sendo incentivados, crescem até muito mais que a ‘gente comum’ e dão resultados, como sendo selecionados para a seleção sub 20 do Brasil, que já contou com seis atletas da ATIVA e agora fui nomeado técnico desta seleção brasileira. São resultados de quase duas décadas neste trabalho, que com os PC, não parte só de nós, mais muito deles e de quem acredita ou passa a acreditar ou depositar em nós uma missão a mais. Assim, tenho um sentimento de dever ou um bom trabalho cumprido”, analisou.

“E quando você chega no ápice – no caso agora de ser técnico de uma seleção – é gratificante e mostra que seu trabalho foi bem feito dentro da luta. Vemos que é gostoso, prazeroso e estamos no segmento certo. E temos que agradecer aos meninos e familiares, e todos que ainda acreditam na gente com esses cidadãos que tem a deficiência. Os pais futs4acreditam e veem nossa dedicação que agora vou e vamos representar o Brasil., com equipe técnica e com atletas de nível, que de certa forma construímos, apesar das dificuldades”,
completou o professor Melo.

Sucesso dos “Tortinhos” que fazem algo?

A falta de conhecimento ou mesmo o pre-conceito criado é estampado, antes ou mesmo depois das conquistas, mas que de certa forma até vale a pena ver e mostrar a todos que dizem ou pensam: esse “Tortinhos” fazem algo tão bem como jogar futebol?

“O futebol de base ou esporte no Brasil ainda tem alguma dificuldade na modalidade e imagina no paradesporto. Temos ainda a ‘primeira visão’ de que será que esses tortinhos fazem alguma coisa?….e agora chegam como campeão, com medalha e são visto como gente ou como vencedores apesar da deficiência, mas ainda com aqueles que pensam ‘os tortinhos jogam mesmo’ . Trabalhamos por está ou qualquer inclusão de todos e até digo para eles, que se ouvirem sobre isto, que vamos responder na bola, no esporte, vencendo dentro e fora do campo. Que também que todos nós, mesmo os ‘normais’ temos uma deficiência. Mostrarmos o que nós, eles tem de melhor e trabalhamos com isso e elevando sua auto-estima e no que sabe fazer, aguçando sua parte esportiva”, explica Melo

A também professora na ATIVA, Jucilene Senna Brites, resume sobre todo o trabalho e conquista dos profissionais e acima de tudo dos paratletas. “A Associação é pequena e tem pouco tempo de vida. Estes meninos são verdadeiros heróis pois enfrentam muitas dificuldades. Eles treinam por amor. Não ganham nada externamente, mas ganham tudo para si. Eles fazem e todo trabalho feito com amor, doação tem o resultado é o sucesso. O título, é a forma visível ou visual para eles, nós ou a sociedade. Mas, acima de tudo, é o que nós professores e paratletas estamos acolhendo hoje”, disse.

Melo e Juscilene lembram que são ou estão servidores públicos, mas que buscaram algum apoio do Poder Público, pois é um trabalho árduo, de missão, que recebem para isto, mas é necessário dedicação e querer fazer. “O Poder Público contribui com uma parte, pois nós temos uma carga horária pela Secretaria de Educação -SED do Estado e Semed do Municipal, para trabalhar. Mas, temos que dedicar e contar com apoios e que agradecemos desde já, das famílias e parceiros, como o que fizemos uma parceria entre a ATIVA e o Rádio Clube que nos cedeu o local para os treinamentos. Temos que lembrar dos que nos ajudam-patrocinam como a Moviflex e Caiobá Honda”, comentaram os professores.

Campeonato

O Campeonato Brasileiro de Futebol 7 PC (Paralisado Cerebral) teve na primeira divisão seis clubes, sendo três do Mato Grosso do Sul, dois do Rio de Janeiro e um de São Paulo.

Na divisão de acesso, foram outros oito clubes, sendo dois de São Paulo, dois de Brasília, um do Mato Grosso do Sul (ATIVA), um de Santa Catarina, um de Minas Gerais e um do Rio de Janeiro.

Com mais de 210 pessoas envolvidas, entre atletas e integrantes de comissões técnicas, o Brasileiro de Futebol de 7 PC, contou com os seguintes clubes na primeira divisão: ADD-MS, CAIRA-MS, CEMDEF-MS, Vasco da Gama-RJ, ANDEF-RJ e SESI-SP. Já na divisão de acesso temos ATIVA-MS, CEPE-SC, CETEFE-DF, APBS-SP, SMEL MOGI, MOHCIPED-DF, APARU-MG e o AROUCA-RJ.

Os times de MS da primeira divisão ficaram em terceiro lugar com o CAIRA-MS e quarto lugar com CEMDEF-MS.

Time do CAIRA-MS que também subiu ao podium
Time do CAIRA-MS que também subiu ao podium

 

 

 

 

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