Assassino de Mayara Amaral é condenado a quase pena máxima na Capital

Lúcio Borges

Foto: Minamar Júnior

Um dos Júris Popular mais esperado em Campo Grande, pelo julgamento do baterista Luís Alberto Bastos Barbosa, autor confesso do assassinato da musicista Mayara Amaral, foi realizado hoje, chegando a sentença condenatória do réu. O feminicídio da jovem, que ocorreu a quase dois anos, foi condenado a quase pena máxima do Código Penal brasileiro. O assassino foi sentenciado a a 27 anos e dois meses de prisão em regime fechado. A sentença saiu já quase no inicio da noite desta sexta-feira (29), após pelo menos nove horas de julgamento, em  júri popular que considerou todas as qualificadoras para aumentar punição ao autor do crime.

A defesa já anunciou que irá recorrer da sentença aplicada ante o júri de assassino, que durou o dia todo, com advogado até ‘culpando’ e desqualificando a vitima, como o Página Brazil noticiou mais cedo, relatando um panorama geral do julgamento, que aconteceu desde as 8 horas, encerrando logo após as 17 horas. Foram três acusações de crimes ante o ato ocorrido em 25 de julho de 2017, com Luís sendo condenado. Pelo 1º crime – homicídio qualificado por feminicídio e uso de meio cruel, mesmo que o réu não tivesse antecedentes criminais, a pena por unanimidade foi de 23 anos e seis meses, atenuada em seis pela confissão do assassino.

Já no 2º crime, pelo furto de bens da vítima, entre eles veículo, notebook, violão, guitarra, amplificador de som e mochila, foi condenado a dois anos e 40 dias. Um dos sete jurados votou contra a condenação pelo crime. Na 3ª pena, pela destruição de cadáver, que incendiou e deixou em uma área rural, a pena estabelecida foi de dois anos e dois meses de reclusão.

A defesa até pediu aos jurados que condenassem Luís, mas excluíssem todas as qualificadoras. O advogado Conrado de Souza Passos afirmou que o cliente “não tinha condições reais de discernimento” no momento em que matou Mayara por conta uso excessivo de drogas e álcool e ainda que a musicista provocou a briga que resultou em sua morte. Os jurados, no entanto, aceitaram a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e após nove horas de julgamento condenaram o réu. O juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, reduziu seis meses da pena pela confissão e definiu a sentença individual de cada crime e pela prisão em regime fechado.

Musicista foi morta com golpes na cabeça – Foto: Reprodução / Facebook

Sentimentos

A família e a mãe de Mayara, Ilda Cardoso, que acompanhou todo o julgamento pediam ao menso 20 anos de condenação e até ficaram surpresos com os 27 anos. Contudo, o alivio foi imediato e os sentimentos de Justiça para Mayara e a sociedade. “A Mayara não volta mais, mas agora ele vai pagar um pouco. Me surpreendeu, foi muito mais do que imaginava, os julgadores agiram pela razão. Foi um crime, foi bárbaro, as provas foram apresentadas muito bem de que realmente ele cometeu, até confessando, mas tentando burlar o que fez”, mencionou dona Ilda.

A mãe de Mayara, ainda tirou forças ou ganhou mais força para lembrar ou continuar o que começou a fazer em luta para penalizar atuais e futuros criminosos. “Os 27 anos também podem ser um exemplo para o País. E assim, por ela e pela sociedade, vamos continua nossa luta por 20 anos de prisão por pena fechada para feminicídio”, disse dona Ilda.

As advogadas de acusação fizeram relatos de ‘vitória’ pela Justiça, como para mostrar a triste situação da violência contra a mulher. Assim, a promotora do MPE, Aline Lopes, comemora que foi comprovado o feminicídio e que Luís matou a vítima pelo menosprezo à mulher. “Foi uma decisão muito justa”, conclui.

“A defensoria se sente bem com o resultado, as qualificadoras foram consideradas e a dosimetria da pena foi muito bem elaborada. Acredito que a Justiça foi muito bem aplicada, os jurados estão de parabéns pela resposta à sociedade, nos preocupa os altos índices de violência contra a mulher no Estado, espero que isso mude de forma mais rápida possível, esses números são um desastre. Há vitimas indiretas, filhos, familiares, que nunca mais vão abraçar essas mulheres”, declarou a defensora pública Camila Maues, comemorando a decisão.

Luís Alberto Bastos Barbosa no dia de sua prisão

‘Pena exacerbada’

O advogado de Luís, Conrado Passos, considerou que a pena de quase 30 anos foi exagerada e a defesa vai recorrer para tentar diminuí-la ou até exigir julgamento substituto. “Iremos impetrar recurso, esse julgamento será nulo. Foi uma manifestação contrária a prova dos autos, foi exacerbada, meu cliente é réu confesso, tem que ter diminuição maior. Estamos preparados e vamos recorrer”, afirmou.

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