Assassinato por engano de filho de PM levou polícia a investigar milícia suspeita de várias execuções

O assassinato, por engano, do estudante de direito Matheus Xavier, 20 anos, em 9 de abril deste ano, no lugar do pai, o capitão reformado da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Paulo Roberto Teixeira Xavier, que já tinha sido preso por envolvimento com jogos de azar, deu início as investigações da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que levaram a operação desta sexta-feira (27) contra uma suposta milícia armada que já teria cometido várias execuções na cidade.

Segundo a Polícia Civil, as investigações que resultaram na operação Omertá, começaram após a execução com tiros de fuzil 762 do estudante, no bairro Jardim Bela Vista, quando manobrava a caminhonete do pai.

O PM aposentado foi preso em 2009 por envolvimento em jogos de azar. Na época, a loja de materiais de construção que ele mantinha com a esposa também foi alvo da Polícia Federal.

Um mês depois, no dia 19 de maio, policiais da Delegacia de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar apreenderam um arsenal com o guarda municipal Marcelo Rios, em uma casa no Jardim Monte Libano. Foram apreendidos 18 fuzis de calibre 762 e 556, espingarda de calibre 12, carabina de calibre 22, além de 33 carregadores e quase 700 munições.

Segundo as investigações do Gaeco, esse arsenal pertencia ao grupo preso nesta sexta-feira. A força-tarefa investiga se as armas foram usadas em crimes de execução nos últimos meses.

Na operação desta sexta-feira foram presos o empresário Jamil Name e seu filho, Jamil Name Filho, quatro policiais civis, Elvis Elir Camargo Lima, Vladenilson Daniel Olmedo e Márcio Cavalcanti da Silva, Frederico Maldonado Arruda. Os guardas municipiais Robert Vitor Kopetski e Rafael Antunes Vieira, o número de integrantes da força de segurança pública do município chega a oito (existe um outro guarda sob investigação). Os detidos da guarda de ontem foram identificados por seus nomes de trabalho: Peixoto, Ígor, Arantes e Eronaldo.

Também foram presos o policial federal aposentado Everaldo Monteiro de Assis, um militar do Exército aposentado, um funcionário de Jamil Name e guardas civis de Campo Grande, entre outros. Ao todo foram cumpridos 20 dos 23 mandados de prisão preventiva e temporária expedidos pela Justiça. Permanece foragido, um advogado que estaria viajando.

Um dos advogados dos empresários, André Borges, alegou que o cumprimento do mandado de busca e apreensão foi ilegal.

Além dos 13 de prisão preventiva e 10 de prisão temporária também foram expedidos 21 mandados de busca e apreensão, um deles para a casa do empresário Jamil Name.

O nome da operação é um termo da língua napolitana que define um código de honra de organizações mafiosas do Sul da Itália. Fundamenta-se num forte sentido de família e num voto de silêncio que impede cooperar com autoridades policiais ou judiciárias, seja em direta relação pessoal como quando fatos envolvem terceiros.

Balanço
Em balanço divulgado na noite desta sexta à Polícia Civil informa que foram apreendidos com os investigados armas de fogo, munições cleulares, computadores, documentos, R$ 160 mil em dinheiro, além de cheques.

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