Assange é preso na embaixada do Equador em Londres

Reuters, AFP e AP

Prisão ocorreu depois que o governo de Quito retirou o asilo diplomático concedido ao fundador do WikiLeaks; ele estava no local desde 2012, quando entrou para escapar de um pedido de extradição da Suécia

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi preso nesta quinta-feira, 11, pela polícia britânica na embaixada do Equador em Londres. Prisão ocorreu depois que o governo de Quito retirou o asilo diplomático concedido ao australiano, informou a Scotland Yard, acrescentando que ele foi levado em razão de um pedido feito pelas autoridades dos Estados Unidos.

“A polícia metropolitana foi convidada à embaixada pelo embaixador (do Equador) após a retirada do asilo pelo governo equatoriano”, diz um comunicado da corporação. Assange, de 47 anos, foi levado a uma delegacia do centro de Londres, onde permanecerá até uma audiência com um juiz o mais rápido possível, completa a nota oficial.

O presidente do Equador, Lenín Moreno, afirmou que o país decidiu “soberanamente” retirar o asilo diplomático de Assange “por violar reiteradamente as convenções internacionais e o protocolo de convivência”, explicou o líder equatoriano na mesma rede social. Ele garantiu que o australiano não seria extraditado a um país onde pudesse ser condenado à pena de morte, mas pouco depois a polícia britânica afirmou que Assange foi preso por pedido de extradição das autoridades americanas.

Moreno, que chegou a considerar Assange uma “pedra no sapato” da diplomacia equatoriana, cortou temporariamente as telecomunicações do australiano em 2018. Contudo, parece ter sido a suspeita do governo equatoriano de que o WikiLeaks tenha pirateado as comunicações do presidente e de sua família para vazar fotos, vídeos e conversas privadas o desecadeador da decisão de retirar o asilo diplomático.

Imagens exibidas por emissoras de televisão mostravam agentes da polícia retirando Assange, com uma longa barba branca, do edifício da embaixada equatoriana, que fica no bairro londrino de Knightsbridge. O australiano entrou no local no dia 19 de junho de 2012 para escapar de um pedido de extradição da Suécia, cuja base acabou rejeitada.

A plataforma de difusão de documentos secretos WikiLeaks, que alertou há vários dias que Moreno estava disposto a retirar de Assange a proteção diplomática concedida há quase sete anos por seu antecessor, Rafael Correa, denunciou imediatamente a decisão de Quito como “ilegal” e “em violação ao direito internacional”.

Correa acusou Moreno de ser o “maior traidor da história” latino-americana por cometer um “crime” ao entregar Assange. “Moreno é um corrupto, mas o que fez é um crime que a humanidade jamais esquecerá”, disse o ex-presidente no Twitter.

“Lenín Moreno, nefasto presidente do Equador, demonstrou sua miséria humana ao mundo, entregando Julian Assange – não apenas asilado, mas também cidadão equatoriano – à polícia britânica”, disse Correa, que vive asilado na Bélgica. “Isto coloca em risco a vida de Assange e humilha o Equador. Dia de luto mundial.”

Edward Snowden, ex-analista de inteligência da Agência de Segurança Nacional (NSA), qualificou o dia como “sombrio para a liberdade de imprensa”. “As imagens do embaixador do Equador convidando a polícia secreta a entrar na embaixada para retirar um editor – goste ou não – de material jornalístico terminará nos livros de história. Os críticos de Assange podem celebrar, mas é um dia sombrio para a liberdade de imprensa”, disse ele no Twitter.

A Rússia também reagiu à decisão, acusando as autoridades britânicas de “estrangular a liberdade”, segundo a porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova. “Esperamos que todos os seus direitos sejam respeitados”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

A advogada da mulher sueca que acusou Assange de estupro em 2010 disse que sua cliente quer a reabertura da investigação. Em maio de 2017, a três anos de sua prescrição e sem condições de levar as investigações adiante, a Suécia arquivou o caso. “Vamos fazer de tudo para que os procuradores reabram a investigação sueca e que Assange seja enviado para a Suécia e levado à Justiça por estupro”, afirmou Elisabeth Massi Fritz.

O australiano estava na embaixada por temer que, se saísse, fosse preso e extraditado aos Estados Unidos pela divulgação de milhares de documentos secretos de Washington por meio do WikiLeaks.

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