Artigo: Cultura, Diversidade e Intolerância nos Meios Tecnológicos

artigo** Johnny Daniel e Sabrina Sales

Vivemos um salto do chamado progresso pelos nossos antepassados, ou um susto com o mesmo. A dubiedade é a condição da contemporaneidade, há uma luta constante contra a incerteza que é característica marcante desse tempo: mudanças rápidas, flexibilidade, soluções compradas e fáceis desvinculações.

A cada dia temos milhões de notícias a apenas um clique e podemos superficialmente saber e opinar sobre tudo nas telas de nossos computadores e smartphones. Por toda parte vemos crianças e adolescentes sendo alimentados através desses meios. Segundo Zigmund Bauman (1999, p. 23). “[…] a comunicação barata inunda e sufoca a memória, em vez de alimentá-la e estabilizá-la.”

Com os filtros da internet, os conteúdos são vistos de acordo com o nosso perfil, sem fazermos uma avaliação crítica, ou seja, usamos, cotidianamente, um ambiente propício para a intolerância e nos fechamos para aquilo que é diferente.

A despeito das discussões polêmicas nas redes sociais, cada um agarra com força um lado a ser defendido. Não há argumentos diferentes sendo discutidos e sim, pessoas intolerantes, que usam esses meio de comunicação, pois, há isenção da pressão. Se o debate ficar mais intenso, o meio mais fácil é a desvinculação, desconectam-se e o problema está resolvido.

A globalização nos possibilitou o contato com diversas culturas e outras formas de pensamento de maneira instantânea, contudo, não estamos usando esse aparato em nosso benefício, uma vez que não é raro vermos comentários que beiram aos extremos, que pregam o ódio e o genocídio de determinados povos, culturas e formas de pensamentos opostas.

Bauman (199, p. 8) nos diz que “A globalização tanto divide como une; divide enquanto une”.

A intolerância às culturas e identidades diversas tem sido um tema trabalhado com freqüência em muitas escolas, mas de uma forma particular: enriquecimento argumentativo para concursos e vestibulares, sendo que o tema precisa ser tratado em sua essência para que possa combater dia a dia práticas racistas, misóginas, sexistas e homofóbicas.

Mesmo com diversas leis em vigor, a intolerância tem-se feito presente intensamente. Neste contexto, a escola e a família têm papéis fundamentais para a conscientização de nossas crianças e adolescentes, que são vulneráveis a interiorização e reprodução de tais práticas, principalmente por terem hoje esse acesso instantâneo as informações. “Eduquem as crianças e não será necessário puni-los quando adultos”. Pitágoras.

** Artigo de Johnny Daniel e Sabrina Sales – Acadêmicos de História da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)

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