Após Piracema, crimes aumentam com PMA barrando centenas de pescadores com pescado e redes

Lúcio Borges

O período de defeso com a Piracema, onde há a proibição de pesca nos rios de Mato Grosso do Sul, até que sempre é respeitado de outubro a fevereiro, até porque há também punições mais severas a infratores. Mas, a ‘novidade’ em absurdos dos abusos, está sendo constatada agora, após ‘recesso dos rios’, a partir de março, onde neste ano, os crimes ou irregularidades ambientais aumentaram. A realidade foi divulgada nesta segunda-feira, 1º de julho, em balanço da PMA (Polícia Militar Ambiental de MS), que barrou nos últimos quatro meses, centenas de pescadores com pescado e redes/material fora do permitido por Leis.

A  polícia Ambiental divulgou um balanço das ações realizadas pela corporação desde a reabertura da pesca, onde nos últimos quatro meses, março a junho, mais de 100 pescadores foram autuados pescando e ou levando pescado de forma irregular, bem como muito material acabou sendo  apreendido. Conforme a PMA, durante esses messes foram 104 pessoas atuadas/multadas por pesca ilegal, desses 74 foram presos por pesca predatória e 30 por praticar pesca sem a licença ambiental.

“Eles foram multados totalizando R$ 151.151,00 em valor monetário. A PMA também apreendeu 744,5 quilos de pescado com os infratores, além de diversos barcos, motores de popa, petrechos de pesca e veículos. Ao todo 126 quilos de pescado vivos foram encontrados presos em petrechos ilegais, principalmente redes de pesca, e foram soltos nos rios”, divulgou comandante da PMA-MS.

Os dados divulgados hoje, mostram que policiais ainda recolheram 15.410 metros de redes e 25 espinheis com 290 anzóis. A polícia destaca a importância da fiscalização na retirada desses tipos de petrechos pelo alto poder de captura e, de se prender os elementos sem que tenham capturado grande quantidade de pescado. Exemplo disso, só durante janeiro e fevereiro (piracema-ainda piracema) quatro ocorrências em que pescadores foram presos com mais de seis mil metros de redes e todos tinham capturado apenas 74 quilos de pescado.

Destaque em locais específicos

A PMA informou que há ou houve um destaque para as apreensões de redes nos lagos das usinas hidrelétricas do rio Paraná, pois o uso desses petrechos é muito comum na região, e este petrecho é até permitido para o pescador profissional, desde que identificado e com malha de tamanho a partir de 140 milímetros. Além dos espinheis e redes de pesca, também foram apreendidos e retirados dos rios, 648 anzóis de galho, 17 tarrafas e 30 boias.

“Ocorre que muitos pescadores profissionais armam redes com malha menor à permitida e evidentemente não as identificam. A legislação só permite também no máximo 100 metros de redes armadas, localizadas pelo menos, a 150 metros de distância uma da outra, porém, muitas vezes, os pescadores profissionais emendam várias redes excedendo a metragem permitida. Este tipo de uso é crime. Além disso, pescadores amadores que não podem por lei utilizarem esses petrechos também acabam os utilizando, o que se caracteriza crime ambiental”, informou a PMA.

Ação da PMA foi efetiva e não esperada por infratores

O comando da Polícia Militar Ambiental considera que o trabalho preventivo foi extremamente eficiente, tendo em vista que a presença dos Policiais nos rios evitou a pesca predatória. Além disso, a retirada de petrechos ilegais dos rios, especialmente, redes de pesca e espinheis, que são petrechos com alto poder de captura evita a depredação dos cardumes. Muitos peixes são soltos ainda vivos dos desses materiais ilegais.

Mesmo quando houve repressão, a PMA considera o trabalho eficiente, pois a quantidade de autuados por pescado apreendido foi em 6,88 quilos por infrator. “Número considerado extremamente baixo, levando em consideração, que houve ocorrências, em que pescadores foram presos com quase 3 km de redes de pesca, quando iniciavam a pescaria e, alguns deles, nem peixe tinham capturado ainda. Se não tivessem sido presos, poderiam depredar os cardumes com essa quantidade de petrechos”, destacou.

Alerta

A PMA alerta para que as pessoas que praticam a pesca, que cumpram as leis, pois mesmo com a pesca aberta, várias atitudes continuam sendo crimes, inclusive, com as mesmas penalidades de pescar em período de piracema. Exemplo: Pescar com petrechos, ou com método de pesca proibidos, em quantidade superior à permitida, ou em local proibido e capturar pescado com tamanho inferior ao permitido, bem como transportar produto da pesca predatória.

Na parte criminal, as pessoas são presas e encaminhadas às delegacias de polícia, autuadas em flagrante delito e poderão, se condenadas, pegar pena de uma a três anos de detenção (Lei Federal nº 9.605/1998), além de terem barcos, motores, veículos, produtos e petrechos de pesca apreendidos.

Na esfera administrativa, a multa é de R$ 700,00 a R$ 100.000,00, mais R$ 20,00 por quilo do pescado irregular (Decreto Federal nº 6.514/2008). Ainda cabe apreensão de todo o produto da pesca, petrechos, veículos, barcos e motores. Mais informações podem ser obtidas por meio da cartilha do pescador 2019, que está disponível no site www.pm.ms.gov.br.

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