Após pesquisas eleitorais, dólar fica abaixo dos R$ 3,85 e Bolsa avança mais de 3%

ESTADÃO/JN

Mercado reage positivamente ao resultado da pesquisa eleitoral Ibope/Estado/TV Globo e do Datafolha, que apontam crescimento de Jair Bolsonaro (PSL); dólar segue em firme queda, de mais de 2%, e Bolsa supera os 85 mil pontos

Após as pesquisas eleitorais reforçarem o fortalecimento de Jair Bolsonaro (PSL) nas intenções de voto e apontar uma distância ainda maior entre ele e Fernando Haddad (PT), o dólar é negociado em suas mínimas, abaixo dos R$ 3,85, com queda de mais de 2%. A Bolsa abriu o pregão com alta de mais de 4% e chegou a superar o patamar dos 85 mil pontos. Os papéis da Petrobrás, por exemplo, têm valorização de 11%.

Às 10h38, a Bolsa tinha alta de 3,72%, aos 84.620,02 pontos. No mesmo horário, o dólar recuava 2,26%, cotado a R$ 3,8415.

No pregão desta quarta-feira, 3, mercado deve dar continuidade ao rali que começou ontem, a quatro dias do primeiro turno das eleições. Os analistas aguardam ainda para esta quarta nova pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo, sobre a corrida presidencial, que deve sair por volta das 19h.

No pregão de terça, o mercado reagiu ao Ibope/Estado/TV Globo, que mostrou também avanço de Bolsonaro, e o dólar fechou abaixo de R$ 4,00. Já a Bolsa fechou com alta de 3,80%, a maior variação porcentual desde 7 de novembro de 2016 (+3,98%).

Especialistas entrevistados pelo Estadão/Broadcast avaliam que a chance de uma vitória de Bolsonaro no primeiro turno existe, mas é pequena. O entusiasmo do mercado local, no entanto, não é o mesmo dos investidores estrangeiros, que veem a vitória do candidato do PSL com preocupação.

Para analistas, o que mais surpreendeu não foi o avanço de Bolsonaro, mas sim o aumento expressivo da rejeição de Haddad, que subiu 11 pontos, para 38%, enquanto a aversão ao candidato do PSL se manteve estável em 44%. “Há uma preocupação muito grande do mercado com a agenda de candidatos de esquerda em relação à questão fiscal e ao tamanho do Estado”, diz Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper.

“A euforia do mercado se deu porque o resultado da pesquisa foi surpreendente, uma vez que, nos últimos dias, Haddad vinha crescendo e Bolsonaro sofria ataques de todos os lados. Achava-se que ele havia atingido seu máximo nas pesquisas, mas não”, diz Victor Candido, economista-chefe da Guide Investimentos. Também contribuiu a notícia de que Bolsonaro recebeu o apoio da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).

O candidato do PSL se tornou o preferido dos investidores brasileiros por ter mais chances de derrotar o PT nas urnas – partido que, na visão do mercado, retomaria o papel mais intervencionista do Estado e poderia comprometer a agenda de reformas.

Ativos brasileiros operam em alta no exterior
Os fundos de índice referenciados em papéis brasileiros (ETF, na sigla em inglês) apresentam altas significativas na Bolsa de Londres nesta manhã. Ontem, o principal deles, negociado em Nova York (iShares MSCI Brazil Index, mais conhecido como EWZ) avançou 5,64%, para US$ 35,61, no fechamento do mercado. Em Frankfurt, onde há também negociações desses ativos na Europa, no entanto, não há transações hoje por causa de um feriado alemão.

Na Bolsa de Londres, o CSBR iShares MSCI Brazil Ucits (ACC) avançava 4,16%, a US$ 69,90. Já o IDBZ (Dist) subia 3,99%, cotado a US$ 29,65, e o IBZL (Dist) tinha ganho de 3,43%, a 2.172,88 libras esterlinas.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here