Após embate, PT e PSDB entram em consenso para criar Comissão de apuração de denúncia da JBS

Lúcio Borges

(Fotos: Victor Chileno)

O turbilhão de denuncias que está movendo a política nacional e que chegou nos últimos dias a políticos de Mato Grosso do Sul, em delação premiada relatando a corrupção por meio do grupo empresarial da JBS, tem as repercussões com movimentos de pedidos de explicações e até no caso, já contando com três pedidos Impeachment do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que foi envolvido diretamente e pode ser relacionado em possível crime de responsabilidade. Apesar de ter se passado cinco dias, a casa política do Estado, a AL-MS (Assembleia Legislativa de MS) somente se reuniu publicamente em sessão ordinária, nesta terça-feira (23), onde recebeu o chefe do Executivo, para ouvir justificativas, como Página Brazil noticiou, e após, mesmo com a visita, acabou por criar uma Comissão Especial para apurar as denuncias delatadas pelo empresário Wesley Batista, dono da JBS.

A delação que menciona suposto esquema de recebimento de propina em troca de incentivos fiscais no Estado, envolvendo o atual governo, vindo das duas administrações anteriores de Andre Puccinelli (PMDB) e Zeca do PT, levou aos já protocolados pedidos de Impeachment e hoje, a bancada do PT, a apresentar o requerimento pedindo a criação de comissão especial. O pedido provocou até um embate entre os petistas e base aliada do Governo, sobre o caso de apurar as denuncias contra o governador. Mas, que ao final, se conseguiu até consenso para aprovação da criação da Comissão para apurar as denúncias

O debate era porque deputados do PSDB pediam também que as investigações cheguem até ao deputado federal Zeca do PT, que governou MS entre 1999 e 2006 e ao ex-governador André Puccinelli, que governou de 2007 a 2014, ambos citados. Com isso, a Mesa Diretora a requereu acordo de lideranças, que aprovaram a votação ainda hoje do requerimento, seguindo a aprovação por unanimidade dos deputados em plenário.  “Não é uma comissão de investigação, mas de apuração e análise de tudo que apareceu, como fator fiscalizador. É prerrogativa da Casa fiscalizar e isso que será feito a princípio. Após, pode seguir, se houver, a abertura de ação investigatória no sentido Judicial de investigar formalmente”, disse o presidente da Casa de Lei, Junior Mochi.

O requerente titular, o deputado Pedro Kemp (PT) explicou que a Comissão Especial, à principio, tem objetivo e pode apurar se existe o crime de responsabilidade do atual governo, por ser ele o mandatário em curso. Contudo, não se eximirá ou no decorrer de apurações, até por requerer depoimentos e documentações, que se veja os detalhes anteriores. “A Comissão está prevista no Regimento Interno e é o mínimo que a AL tem que se posicionar fazer neste momento. Vamos  buscar esclarecer, dar espaço para todos falarem, trazer as explicações e provas e contraprovas. É momento, e depois se avaliado e aprovado segue para  próximo passo de uma Comissão Processante especifica”, explicou o petista.

Já apurar tudo

Para o líder tucano, Beto Pereira, também se deve já ver e apurar os governos anteriores, até porque a delação trata muito mais deles, do que do atual de seu partido. Ele mencionou que apoiaria a aprovação do requerimento, acordando que se faça todo o processo durante a apuração, que mesmo sendo especifica, deve buscar as administrações anteriores.

“Temos que apurar tudo e até mais ainda aos que delataram, pois está havendo uma desconstrução de toda a classe politica e agora empresarial. Todos foram colocados sob suspeição. Todos os 1199 acordos fiscais então receberam propina, pois eles os delatores citaram a todos. Temos que ter agora sim, nesta Comissão a celeridade nos cinco termos que a delação cita de imediato, que inclusive pega um neste governo e os outros no anterior. Contudo, temos que ver todos os envolvidos, os mais de mil incentivos fiscais que foram criados a partir do governo Zeca, citado na delação e após o André. Eles colocaram em suspeição toda a Lei de incentivo fiscal de MS”, apontou Pereira.

Pela manhã, o governador Reinaldo Azambuja se reuniu a portas fechadas com os parlamentares antes do início da sessão.

Comentários