Após alcançar máxima histórica, dólar cai e fecha abaixo de R$ 4

Moeda americana chegou a valer R$ 4,24 na abertura dos negócios, mas declarações de dirigentes do Banco Central reduziram o apetite dos investidores

O dólar comercial enfrentou forte oscilação nesta quinta-feira, 24, e chegou a atingir durante o dia uma nova marca histórica, de R$ 4,248. Declarações do Banco Central, no entanto, esfriaram o ímpeto dos investidores e a moeda retrocedeu mais de 20 centavos, para fechar cotada a R$ 3,9914 na venda, uma queda de 3,73% em relação ao fechamento de quarta-feira.

24mediaNo fim da manhã, comentários do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deram alívio à cotação da moeda. O chefe do BC afirmou que “a política (monetária) é de estabilidade da taxa de juros por um período prolongado” e que “as reservas são um seguro. Pode e deve ser utilizado”.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, também concedeu entrevista. Ele afirmou que o balanço de riscos se deteriorou com a alta dos prêmios de risco e reforçou a mensagem do presidente Alexandre Tombini, que falou antes dele, de manter os juros básicos em 14,25% ao ano por tempo suficientemente prolongado, estratégia que ele classificou como necessária para fazer a inflação convergir para a meta de 4,5% ao ano ao fim de 2016. Ele recomendou ainda “discernimento analítico para evitar reatividade excessiva”.

Também nesta quinta-feira, o BC realizou a última das três operações anunciadas desde ontem para conter a escalada da moeda. Por volta das 9h, o órgão vendeu 20 mil contratos de swap (venda de dólares no mercado futuro), em uma operação que totalizou US$ 961,2 milhões.

Incertezas

No radar dos investidores está a crise política no País, que impede o governo de realizar o ajuste fiscal, e temores de um novo rebaixamento pela agência de classificação de risco Fitch, que se reuniu essa semana em Brasília com a equipe econômica para avaliar a situação do País.

O nervosismo foi acentuado pela deterioração das projeções para a economia trazidas pelo Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do Banco Central, que prevê queda de 2,7% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2015.

Outra notícia ruim é a de que a taxa de desemprego em agosto subiu para 7,6% nas seis principais regiões metropolitanas do País, a maior desde setembro de 2009 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

ESTADÃO

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