Após 95 mortes em 6 dias, ministro diz que presídios não saíram do controle

Policiais militares reforçam a segurança em frente à Penitenciaria Agrícola de Monte Cristo, em Roraima (Foto: Sônia Lucia Nunes/Folhapress)

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou nesta sexta-feira (6) que o massacre ocorrido na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima, tratou-se de um “acerto interno de contas” de uma mesma facção criminosa.

Segundo ele, informações preliminares, apontam que as mortes foram cometidas por membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), que assassinaram rivais integrantes do mesmo grupo. Ao todo, 33 presos foram mortos.

O ministro negou que o episódio tenha feito com que a crise prisional tenha “saído do controle” e informou que viajará nesta sexta para Roraima para se reunir com a governadora, Suely Campos, e com autoridades estaduais.

“A situação não saiu do controle. É outra situação difícil. Roraima já tinha tido problema anteriormente. No segundo semestre do ano passado, tivemos 18 mortos, e a situação já vinha sendo monitorado pelas autoridades locais”, disse.

“Eu conversei com a governadora e peguei informações preliminares. Não é, aparentemente, uma retaliação do PCC em relação à Família do Norte. Os 33 presos, segundo me informaram, eram da mesma facção, ligados ao PCC”, disse.

Segundo ele, do total, três eram acusados de estupro e os demais eram rivais internos dos presos que cometeram os crimes. “Foi um acerto interno, o que não retira em momento nenhum a gravidade do fato”, disse.

O ministro voltou a dizer que o controle dos presídios estaduais não é competência do governo federal. “Quem faz o monitoramento e o controle são as autoridades estaduais. O governo federal não tem agentes dentro dos sistemas penitenciários estaduais”, disse. Segundo ele, contudo, de acordo com as informações prestadas pelas Secretarias de Segurança Pública estaduais, não há chances de novas rebeliões em presídios.

Conforme Moraes, o massacre desta sexta não tem relação com o ocorrido na segunda-feira (1) em Manaus, que deixou 56 mortos. “Pela troca de informações com os secretário estaduais, o que se vê é uma espécie de morte oportunista. A rebelião começa e as pessoas começam às vezes a agir contra seus desafetos”, disse.

(Folha de S. Paulo)

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