Apoio veemente de Gleisi a Maduro desagrada Lula e expõe divisão no PT sobre Venezuela

Infomoney / Folha / SF

A presidente do PT, Gleisi Hoffman, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro e o ex-presidente Lula. Fotos: Arquivo

Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, a convocação de uma assembleia para reescrever a Constituição da Venezuela expôs uma fissura interna no PT, partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto a presidente da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), manifesta apoio incondicional à Constituinte, uma ala petista – com assento no instituto Lula – defende cautela no endosso às decisões do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O próprio Lula estaria preocupado com a administração Maduro e teria recomendado, mais de uma vez, moderação ao presidente da Venezuela. Nas conversas com colaboradores, Lula defende a neutralidade do governo brasileiro em busca de uma solução pacífica para a Venezuela.

O ex-presidente seria também contrário à realização da Constituinte, cuja eleição está programada para este domingo (30), em um momento tão delicado para o país. Uma onda de protestos nos últimos quatro meses, mais de cem manifestantes já foram mortos pelo regime de Nicolás Maduro.

Gleisi, no entanto, faz uma defesa irrestrita da assembleia. Na abertura do 23º encontro do Foro de São Paulo, dia 16 na Nicarágua, a presidente do PT manifestou, em nome do partido, “apoio e solidariedade ao governo do PSUV, seus aliados e ao presidente Maduro frente ao que a petista chamou de “violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela”.

“Condenamos o recente ataque terrorista contra a Corte Suprema”, discursou ela, aludindo a um helicóptero que sobrevoou o prédio do Supremo no fim de junho de forma suspeita.

“Temos expectativa de que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica.”

Nesta terça (25), Gleisi reafirmou o aval do partido à convocação da assembleia. A presidente do PT compara a atuação da oposição venezuelana à brasileira, que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

“A oposição a Maduro quer chegar ao poder como [o presidente Michel] Temer. Parece que as coisas lá [na Venezuela] são diferentes.”

Gleisi apoia mesmo o critério estabelecido para a eleição da assembleia constituinte, cujos integrantes serão escolhidos segundo cotas setoriais. “É preciso voto, por setor ou não”, afirma Gleisi.

Para a senadora, não há contradição no fato de o PT reivindicar eleições diretas no Brasil e endossar a Assembleia Constituinte na Venezuela.

“Gostando-se ou não de Maduro, ele tem legitimidade, foi eleito em urna, o que não é o caso de quem hoje governa o Brasil”, disse. “Lá [na Venezuela] quem não quer se submeter ao voto popular é quem fala em defender a democracia. Isso é contraditório”, afirma.

A presidente do PT lembra ainda que seu partido aprovou a proposta de realização de uma Constituinte para a implementação de reformas no Brasil. “Constituinte também defendemos aqui. Foi deliberação do sexto Congresso do PT.”

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