Ao reduzir meta fiscal, Dilma contradiz Delcídio e recebe críticas da oposição

A proposta de redução da meta fiscal feita pela presidente Dilma Rousseff, além de contradizer declarações feitas pelo líder do Governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), recebeu críticas da oposição, principalmente do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

No dia em que o governo federal deve anunciar redução da meta de superávit primário e cortes no orçamento de 2015, Eduardo Cunha, afirmou que só reduzir a meta fiscal é um “sinal horrível” ao mercado. Na avaliação do peemedebista, que anunciou na semana passada seu rompimento oficial com a gestão petista, a alteração na economia que o governo faz para pagar os juros da dívida pode gerar consequências negativas no mercado.

Delcídio, líder do Governo no Senado Foto: Divulgação
Delcídio, líder do Governo no Senado Foto: Divulgação

Há dias, em entrevista à imprensa, Delcídio havia dito que a flexibilização da meta do superávit primário é um tema que o governo “não vai sequer discutir”.

“Não há nenhum encaminhamento de flexibilização, não há nenhum encaminhamento de redução do superávit fiscal. Isso ficou muito claro na reunião hoje de coordenação com a presidente Dilma. E eu estou repetindo exatamente o que foi dito: não há nenhum encaminhamento diferente daquele que vocês sabem e que foi anunciado pelo ministro Levy”, disse o petista.

“Até por uma questão de bom senso, essa é a postura correta do governo. Tem que manter as suas posições e trabalhar forte para fazer um ajuste importante para que efetivamente, a partir do ano que vem, as coisas fiquem mais tranquilas com relação à economia”, acrescentou Delcídio.

Segundo a colunista Cristiana Lôbo, o Executivo decidiu, diante da crescente queda de arrecadação deste ano, diminuir a meta de superávit de 1,2% do PIB (equivalente a R$ 66,7 bilhões) para, no máximo, 0,2%, índice que deve somar algo em torno  de R$ 10 bilhões. Além disso, informou a colunista do G1, deverá ser anunciado um novo corte no Orçamento, entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões.

“O ajuste acaba correndo atrás do mesmo ponto, você corta mais, aumenta receita, aumenta impostos e ao mesmo tempo a arrecadação e você precisa de mais ajuste. Esse é o problema que a gente está vivendo, é um problema que precisa ser resolvido. Só a redução da meta fiscal é um sinal horrível. Agora, se isso for um contexto de situações que você mostre que você está no caminho certo, o mercado deve entender”, disse Cunha durante o enterro do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde.

Nesta terça, durante a inauguração de uma unidade de produção de etanol 2G no interior de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff disse que o governo “persegue” o reequilibrio das contas públicas, algo considerado por ela “essencial” para que o país recupere a economia (assista ao vídeo ao lado). Ela, no entanto, não comentou a possibilidade de reduzir a meta fiscal.

De acordo com o Blog da Cristiana Lôbo, ao longo desta terça-feira (21), Dilma comandou diversas reuniões com sua equipe econômica e, ao final do dia, ela decidiu por uma redução mais drástica na meta de superávit.

Além do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participaram das reuniões os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

Conforme a colunista do G1, Levy defendeu uma redução menor na meta de superávit, mas que assegurasse a continuidade do ajuste. Porém, nos debates internos, o governo preferiu estabelecer uma meta realista.

Comentários

comentários