Antes da JBS e Funaro, Cunha citou suposta interferência de Temer em desvios no FGTS

ESTADÃO

Em fevereiro, ex-deputado fez perguntas ao presidente, que arrolou como sua testemunha de defesa em ação penal que investiga irregularidades no âmbito do Fundo de Investimentos do FGTS

Em fevereiro deste ano, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez perguntas ao presidente Michel Temer (PMDB-SP), que arrolou como sua testemunha no âmbito de ação penal que investiga a liberação de recursos do FI-FGTS, sobre uma suposta interferência do peemedebista em desvios do Fundo de Investimentos direcionados ao financiamento da campanha de Gabriel Chalita (PMDB-SP), em 2012, à Prefeitura de São Paulo. Os questionamentos do parlamentar cassado por seus pares na Câmara e condenado a 15 anos e quatro meses de prisão na Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro coincidem com afirmações feitas somente três meses depois por executivos da JBS e pelo doleiro Lúcio Funaro.

O presidente da Camara dos Deputados, Eduardo Cunha conversa com o presidente da Republica em Exercicio, Michel Temer durante cerimônia de posse da deputado, Luciana Lima (PC do B PE), na presidência do PC do B, na Camara dos Deputados. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Em depoimento no âmbito da Operação Patmos, no dia 14 de junho, Lúcio Bolonha Funaro disse que Temer fez uma ‘orientação/pedido’ para que uma ‘comissão’ de R$ 20 milhões supostamente proveniente de duas operações do Fundo de Investimento do FGTS fosse encaminhada para a sua campanha presidencial de 2014 e, também, para a de Chalita, dois anos antes.

As operações no FGTS eram relacionadas às empresas LLX e BRVias e são investigadas na Operação Sépsis, na qual Funaro foi preso, em julho de 2016.

Já empresário Joesley Batista, dono da JBS, entregou à Operação Lava Jato em delação premiada uma planilha com os pagamentos que teria realizado por meio de sua empresa de despesas da campanha de Chalita.

Os valores foram pagos, segundo o delator, a pedido de Temer- à época, vice de Dilma Rousseff.

No depoimento, o empresário registra que em 2012 o presidente pediu ajuda de R$ 3 milhões para a campanha de Chalita.

Antes mesmo dos depoimentos dos delatores e do doleiro, em fevereiro, em ação na qual é investigado por propinas oriundas de liberações do FI-FGTS, Cunha já mencionava, em suas perguntas a Temer, arrolado para sua defesa, a ligação entre a campanha de Chalita e recursos da Caixa Econômica Federal.

Ele também questionou o presidente se havia participado da operação:

16 – Sabe dizer se alguma delas fez doação para a campanha de Gabriel Chalita em 2012?

17 – Se positiva a resposta, houve a participação de Vossa Excelência? A doação estava vinculada à liberação desses recursos da Caixa no FI/F

COM A PALAVRA, TEMER

A assessoria de imprensa de Michel Temer (PMDB) informou que as perguntas de Eduardo Cunha ainda não chegaram ao conhecimento do presidente.

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