André diz que define candidatura em julho

Da Redação

Citado em delação premiada de ex-executivo da empresa Odebrecht, o ex-governador André Puccinelli (PMDB) garantiu ontem que decidirá se é candidato ou não ao governo de Mato Grosso do Sul em meados de julho deste ano. No entanto, voltou a defender o nome da senadora Simone Tebet como alternativa de seu partido para eventual confronto com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

Ex-governador defendeu a indicação de Simone em caso de não aceitar concorrer

Em entrevista a repórteres ao visitar o Mercadão Municipal, o líder peemedebista foi reticente em relação a possibilidade de coligação entre o seu partido e o PSDB nas eleições do ano que vem. “Perguntem aos deputados”, limitou-se a dizer.

O desejo dele é que o PMDB participa das eleições com candidatura própria.

Ontem, o presidente regional do partido e da Assembleia Legislativa, deputado Junior Mochi, disse que André pediu prazo até 1º de julho para definir pré-candidatura, segundo reportagem da edição desta quinta-feira do jornal Correio do Estado.

“Após a decisão dele, então, tomaremos algum rumo”, afirmou Mochi. “A decisão de André é fundamental”, ressaltou o dirigente, porque abrirá caminho para o PMDB definir sua posição no processo eleitoral de 2018.

Ainda segundo a publicação, Mochi comentou ainda de reunião de cúpula, nos próximos dias, para definir a contratação de instituição de pesquisa. A proposta é conhecer o cenário político do Estado, como candidatura própria, avaliação do nome de André Puccinelli e até sobre aliança com PSDB para apoiar a reeleição do governador Reinaldo Azambuja.

DELAÇÃO PREMIADA 

André Puccinelli e o ex-deputado federal Edson Giroto foram citados em delação de executivo da Odebrecht por ter supostamente cobrado e recebido dinheiro de propina para a campanha de 2010.

O executivo da empreiteira, João Antônio Pacífico Ferreira, relatou o pagamento com detalhes, em delação premiada. Foi dado, inclusive, datas e ele assegurou que há planilha para comprovar o esquema. O empreiteiro João Alberto Amorim Krampe dos Santos também foi citado como intermediário na negociação.

O caso consta em documentos levados ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas nenhum dos três responde a inquérito.

Na delação, Pacífico afirmou que para a empresa conseguir receber um crédito milionário, precisava pagar 10% do valor a título de “auxílio de campanha”. O saldo do crédito era de R$ 79 milhões, valor corrigido em 2010, mas na negociação com o Governo do Estado, a Odebrecht concedeu desconto de 70%, o que equivalia a um pagamento de R$ 23,4 milhões.

O executivo comentou que essa quantia arrastava-se há mais de quatro anos e em uma das tentativas de receber, um contato da empresa, chamado Pedro Augusto Carneiro Leão, procurou Puccinelli entre 2006 e 2007 (o período não ficou claro na delação, apenas menciona que André tinha sido eleito quando foi requisitado). As tratativas só surtiram efeito em 2010, no ano de eleição.

“Somente em 2010 (…), após contatos com o governador André Puccinelli e com Edson Giroto, Pedro Leão, com a minha ciência e autorização, conseguimos formalizar um novo acordo para quitação do saldo (que era devido pelo Estado à empreiteira)”, disse Pacífico em sua delação.

Durante as tratativas, Puccinelli mencionou sobre a eleição. “O governador André Puccinelli lhe disse (a Pedro Leão), expressamente, que estava buscando reeleição e precisava de apoio financeiro”, detalhou Pacífico.

Comentários