Imagens de satélite mostram que Cerrado perdeu duas Inglaterras nos últimos 20 anos

Contestando dados do Ministério do Meio Ambiente, um levantamento publicado na revista Applied Geography, aponta que nos últimos 20 anos o bioma Cerrado teve 26 milhões de hectares desmatados, tendo como maior responsável a agropecuária. O valor equivale ao dobro da área da Inglaterra.

A divergência com os número divulgados pelo Governo Federal, segundo os autores, ocorre porque o órgão considera áreas cobertas puramente por gramíneas como paisagem natural. O estudo coordenado por René Beuchle, do Joint Research Centre da Comissão Europeia, da Itália, mostra que hoje a vegetação nativa do Cerrado ocupa 47% de sua área original fazendo-do figurar entre os ecossistemas mais ameaçados do mundo. Ainda sim, o bioma carece de marcos regulatórios, ações e investimentos na sua conservação e uso sustentável.

Inúmeros são os resultados negativos do desmatamento como a elevação das temperaturas, consequentemente o aumento de chuvas, que diminuem a resistência dos solos à erosão e promovem o assoreamento de rios aumentando o risco de inundações, entre outros fatores.

Os pesquisadores analisaram 974 imagens do satélite Landsat, com resolução de 30 metros, que registraram as mudanças na cobertura vegetal do solo em 1990, 2000, 2005 e 2010 em 243 áreas amostrais, cada uma com 10 km por 10 km. Uma das conclusões foi a relação direta da redução com a expansão agrícola do final da década de 1990. A explicação, segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, Edson Sano, que trabalhou com Beuchle, a terra no Centro-Oeste ainda era barata e a produção no Sul e Sudeste estava saturada.

A partir do ano de 2000, no entanto, essa expansão desacelerou, de 0,79% ao ano para 0,44%, por causa da elevação do custo da terra, do aumento da fiscalização sobre os cortes de vegetação nativa e dos ganhos de produtividade proporcionados por novas tecnologias de cultivo. Hoje o déficit nacional de hectares de vegetação nativa  é de 21 milhões de hectares.

Para sanar o problema, o Ministério do Meio Ambiente quer incentivar o plantio de espécies nativas, a restauração de áreas degradadas e as práticas agropecuárias que favoreçam a recuperação de pelo menos 12,5 milhões de hectares de vegetação nativa nos próximos 20 anos, por meio do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa. Sano, aponta que opções como o rodízio de plantio e o plantio de árvores comerciais nas pastagens também são viáveis pois evitam o esgotamento do solo.

De acordo com os pesquisadores essa recuperação é de suma importância, para preservação de nascentes de rios ou “em alguns anos poderemos não ter mais água nem para beber”.

com informações da Pesquisa Fapesp

 

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